Por que os tomates são tão importantes?

by - junho 14, 2017


Imagem: Daqui

Eu gosto muito de assistir vídeos de resenhas de livros no Youtube, pois não somente é uma maneira de descobrir novos títulos, como de saber se a leitura "vale a pena". Isto, claro, se você se identifica e se importa com a opinião da pessoa que está disponibilizando aquele conteúdo. Para que eu possa construir a minha própria opinião, sinto a necessidade de assistir ao vídeo até o fim, considerando todas as explicações, todos os motivos pelos quais a pessoa gostou ou não da obra. 

Infelizmente nem todo mundo é assim. Digo infelizmente, pois considero que uma opinião sobre qualquer coisa só pode ser construída quando se tem o máximo de informações (e informação não é somente aquilo que a gente quer ouvir, ok?). Três estrelinhas não é informação, né gente? Lá estava eu assistindo a mais um vídeo-resenha, quando dou de cara com o seguinte comentário: "quantas estrelas você dá para essa série". Levando em consideração que a moça do vídeo passou oito minutos de sua vida falando sobre a série, contando toda a história e dando o seu "veredito", só posso crer que a pessoa que fez o comentário nem sequer se deu ao trabalho de assistir. Por que as estrelas importam tanto?

Por esses dias aí estreou Mulher Maravilha e a galera ficou ~maravilhada~. Alguns disseram ser o melhor filme de super-herói ever, mesmo sem sequer terem assistido. Tudo isso porque a película exibia grandiosos 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, famoso site de compilações de críticas, e, portanto, o argumento mais válido que existe na face desta e qualquer outra Terra. Ok, não é nenhum crime se basear em sites desse tipo para decidir assistir algo ou não. Mas por que esses 96% importam tanto? 

Eu não gostei tanto assim de Mulher Maravilha, no meu ranking ele não tem 96% de aprovação. E, pra mim, o único ranking que importa é o meu mesmo. Não interessa que meio mundo adorou e construíram um altar para a Wonder Woman¹, meu filme favorito de herói continua sendo Homem-Aranha 2 (Sam Raimi, 2004) e pronto. Vejam bem, não estou dizendo que a minha opinião é a que conta. Mentira, estou dizendo sim, mas num âmbito muito pessoal. Não é um 100% no Rotten ou cinco estrelinhas em qualquer outro site, que vai fazer com que automaticamente eu goste das coisas. Eu não sou obrigada.

Tomar como verdade absoluta as estrelas que alguém dá para um livro sem ouvi-lo explicar o porquê (ou de fato ler o livro), sorry, mas é burrice. Recortar a porcentagem de aprovação de um filme em sites de críticas sem se dar ao trabalho de ler um review sequer (ou assistir ao filme), também é burrice. Construa a sua opinião com base em explicações, em fatos e contextos. Não se venda por tomates e estrelas. Assim como eu, você também não é obrigado.

¹ Eu entendo toda a comoção, entendo a importância que esse filme tem hoje, assim como toda a expectativa criada. Mas eu não posso me trair e achar que as minhas expectativas importam mais do que as minhas experiências. Eu queria ter saído do cinema com o queixo no chão, eu queria ter derramado lágrimas, eu queria muito ter ficado maravilhada, porque foi isso que eu esperei, mas não aconteceu. O filme é bacana em vários aspectos, eu recomendo que você vá assistir para tirar suas próprias conclusões. Não funcionou muito pra mim, mas pode funcionar pra você. 

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1 comentários

  1. Adorei o post! Ainda não assisti o filme e na verdade nem sei se irei. Tende a ser mais um daqueles filmes que eu fico com preguiça tamanho o estardalhaço. Mas quem sabe daqui um tempo, né? Mesmo sem ter visto, fiquei incomodada com todo o barulho acerca dele. Sabemos a importância dele, mas parece que é só isso. Querem colocar força mesmo sem analisar a qualidade. Aliás, o que vem me incomodando hoje em dia no movimento feminista é isso: mulheres ou tudo que envolva mulheres é o que importa. Mulheres são incríveis? Claro que sim, mas não todas. Mulheres também podem ser babacas? Sim, muitas! E aí está o erro em defender uma causa a qualquer custo. Vi gente reclamando do filme devido a mulher ser branca, logo privilegiada. Essa falta de equilíbrio tem me incomodado bastante.

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