12 abril 2017

Um papo sobre consumo



Não sei vocês, mas eu adoro usar os meus produtinhos até o fim. Até o fim mesmo: coloco as embalagens de cabeça pra baixo para usar pelo menos mais uma vez. Acho que "cumpro o meu papel" enquanto consumidora, sabe? As coisas estão cada vez mais caras, nós estamos cada vez mais pobres e o mundo já pede socorro há um bom tempo. Desperdiçar não é legal, ter coisas "só para ter" não é legal. 

É claro que eu não nasci essa desconstruidona da p*##@. Quem nasceu? (Para qualquer assunto) E ainda é uma luta diária. Vejo uma coisinha na rua e fico doida para experimentar, mas respiro fundo e mantenho o foco, afinal tem um produto, da mesma categoria, pela metade no meu box/armário/guarda-roupa. Não tem necessidade alguma de eu encher a minha casa, que é bem pequena, das mesmas coisas. Eu sei, eu sei que tem gente que gosta de ter dois shampoos, dois cremes pro rosto - dia e noite - etc. Ok, eu também gosto. Mas acho que tudo na vida é questão de bom senso. 

Quando eu morava com a minha mãe, a quantidade de produtos que a gente tinha era insana. Minha mãe é meio compradora nonsense e não pode ver uma novidade que já cai matando, mesmo que ela já tenha uns 50 produtos do mesmo. Só que o problema é que nós não conseguíamos consumir tudo aquilo e a maioria ia para o lixo, já que passavam da data de validade e a gente não usa produtos vencidos no corpo por medo de alergia¹. Na época eu não me sentia tão mal, porque me acostumei a ter sempre muita coisa. Quando jogávamos algo fora era um alívio, só que o espaço que ficava vazio era preenchido rapidamente. 

Desde que saí da casa de mainha a minha relação com as coisas tem mudado bastante. Não somente porque o meu noivo é uma pessoa bem consciente quando o assunto é consumo, mas porque eu percebi que eu não preciso (precisar é uma palavra mágica) de 5 hidratantes corporais. Um só dá conta do recado e, quando acaba, eu compro outro. Não é como se todo o hidratante do mundo estivesse ameaçado de extinção, não é mesmo? E ainda tem o fato de que eu sou uma pessoa bem "normal": minha pele (do rosto) é normal/mista, meu cabelo é normal, minhas unhas são normais. Ou seja, eu não preciso de muitos produtos (nem de muitos produtos muito caros) pra levar a vida de boinha. 

Eu, sinceramente, não acredito que a propaganda e os estímulos que recebemos o tempo inteiro são os únicos culpados por nosso consumo desenfreado. Afirmar isso, na minha opinião, é o mesmo que dizer que nós não temos uma única gota de discernimento e auto-controle. Tirando as pessoas que sofrem de problemas psicológicos (compulsivos, acumuladores), não é possível que sejamos tão manipulados ao ponto de acreditarmos que quanto mais temos, mais somos. Também é inacreditável que, em pleno 2017, a galera ainda caia no conto da carochinha de que a marca e o preço do produto falam por ele. 

Acho que já passou da hora de a gente prestar mais atenção nas coisas que compramos, no porquê compramos. E não estou dizendo que nós não possamos nos deleitar com algo novo e supérfluo, claro que podemos. A questão é a gente definir o que é importante pra gente. Não comprar só para enriquecer marcas já podres de rica²; não comprar só para mostrar para os outros o que a gente tem. Este segundo item é muito quinta série.   

E vocês, o que pensam sobre o assunto? Como vocês andam consumindo ultimamente?  Me contem ;)


¹ Uma vez eu usei um lápis de olho vencido e quase fico cega. Lacrimejou tanto, tanto, eu nem conseguia abrir os olhos. Não recomendo usarem produtos fora da validade.
² Não pensem que eu estou dizendo pra todo mundo parar de comprar de marcas baratas, fast fashion etc. NÃO, PELAMOR! O que quero dizer é que toda vez que você compra algo que não usa, joga no lixo, compra só pela marca e pelo preço e o produto acaba sendo uma bosta, você fica cada vez mais pobre e a marca cada vez mais rica. Fica a dica ;)

Imagem: Kaboompics

4 comentários:

  1. Eu também estou tentando comprar menos, até porque, estou desempregada e quem me sustenta são os meus pais. Só que é bem difícil passar por uma loja de cosméticos ou ver umas tranqueiras nas lojas de 1,99 e simplesmente deixar para lá. Acho que somente com esforço e muita força de vontade, a gente consegue se desligar das marcas, da publicidade, dos impulsos, e se tornar mais consciente.

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    1. Sim, sim, eu adoro uma bugiganga de 1,99 hahahahaha! Realmente tem que ter muito foco. Obrigada por comentar <3 Não conhecia seu blog e tô encantada. Farei uma visitinha, viu ;) Beijos!

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  2. Eu fui muito consumista. Claro, o dinheiro não era meu, as pessoas compravam o que eu pedia e eu me arrependia depois porque aquela roupa que achei que ficaria linda em mim, não ficou, não me deixou confortável. Ou aquele sapato, ou, quando me apaixonei por ler, aquele livro foi bom, etc. Eu preciso me controlar muito atualmente, de vez em quando ainda faço compras supérfluas, que eu sei que são, mas que o desejo de comprar é incontrolável. Não que eu seja a menina rica, privilegiada que pode comprar tudo o que quer toda hora, mas em alguns momentos eu posso, ou podem comprar coisas pra mim e eu exagero. Hoje também eu tenho uma renda, pequena, mas tenho, e tento me controlar mais na compra de itens materiais. O que eu não consigo ainda me controlar direito é na hora de comer. Eu gasto MUITO dinheiro com comida. Como se toda comida do mundo fosse se esgotar rapidamente. HUHAUHAUS Acho até que transferi meu consumismo de roupa, sapato, livro para a comida. O que é um problemão também, já que essas comidas normalmente são aquelas bem gordurosas, bem cheias de queijo, ou fast food caro mesmo.

    Beijos
    https://monautrecote.blogspot.com.br/

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    1. Eu também já fui muito assim. Gastava meu salário todo com roupa que nunca usava, inclusive muitas foram para doação sem eu nem lembrar que elas existiam. Daí comecei a me sentir culpada, comprava só pra comprar, comprava para "me presentear", já que trabalhava num ambiente péssimo e achava que meu salário era minha recompensa. Enfim... Foi muito difícil mudar esse hábito, na verdade é uma luta diária. Ainda compro muitas bobagens, mas me forço a usá-las, a fazer valer a pena. O que diminuí drasticamente foi a quantidade de roupa. Não que eu não queria sempre uma blusinha nova, mas porque fui me descobrindo durante os anos e entendi o que eu gosto e o que eu não gosto, não importa o quão na moda esteja. Daí doei metade do guarda-roupa e agora tô me organizando melhor com ele, só com roupas que eu tenha prazer em vestir. E SIIIIMMMM, comida é o buraco negro do consumo. Sempre que tô na rua e tô com fome eu penso "eu não vou morrer de fome por causa de 20 reais". Só que de 20 em 20, né? =/

      Beijos, Jeniffer!

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