21 setembro 2016

Pelo direito de não ser tão sociável


Certa vez eu li que apontar alguém como antissocial era um erro gravíssimo, já que apenas profissionais capacitados poderiam diagnosticar as pessoas dessa forma. Segundo o dicionário Michaelis online, antissocial é aquele contrário às ideias, costumes ou interesses da sociedade; associal. E eu pesquisei que comportamentos antissociais podem indicar um transtorno de personalidade (sociopatia, psicopatia) e até levar o indivíduo a cometer crimes.

Não seria prudente escrever um post inteiro sobre o quão antissocial eu sou, levando em consideração que sequer conheço um psiquiatra. Então, ao invés de usar a palavra antissocial neste texto para justificar o meu comportamento, ficarei somente no 'não tão sociável'. Combinado? Combinado.

Antes de mais nada eu gostaria de dizer que não me qualifico como um 'bicho do mato' (ou 'matuta', como a gente diz lá em Recife). Eu juro que sou educada, cumprimento todo mundo, sou simpática e costumo me expressar até que legal. A questão é que eu sou uma pessoa introvertida, sem paciência e bem (BEM) na minha. Pena que muita gente que convive/conviveu comigo não entende/entendia esse meu jeito.

Lá pelas bandas da adolescência minhas amigas me achavam estranhíssima (eu desconfio até que elas cogitaram me beatificar) por não gostar de ir às festas, baladas, 'reuniões com a galera' e as demais coisas onde um aglomerado de gente que eu não conhecia se juntava para fazer coisas que eu não gostava. Soava um absurdo:

- Como assim tu não vai pro São João da Capitá? (Evento famoso lá em Recife. Na minha época a presença dos xóvens era obrigatória)
- Eu não gosto.
- Vixe, Mari, tu também não gosta de nada.

Eu sei que quando se tem 16 anos pouco importa a companhia ou a música, a gente quer se divertir. Mas eu já nasci com 84 anos, ranzinza até o último fio de cabelo, e festa estranha com gente esquisita DEFINITIVAMENTE não é diversão pra mim.

Vejam bem, não é como se eu vivesse numa bolha e não conhecesse mais ninguém neste mundo além da minha mãe. Conhecer pessoas novas é muito legal, mas quando de forma tranquila, sem forçar a barra, sem 'amiga' te empurrando com um PÉSSIMO "ela quer te conhecer" (como eu odeio isso com todas as minhas forças). Ou com os mais PÉSSIMOS ainda: "como essa menina é calada", "fala alguma coisa, interage" (como eu odeio isso com todas as minhas forças). Eu, com toda a paciência que já não me pertence, preciso me controlar muito pra não meter a mão na cara da pessoa que fala isso.

É muito difícil fazer o povo entender que o que eu quero é paz. Não quero ninguém azucrinando o meu juízo, não quero 300 conversas no meu whatsapp, muito menos 900 pessoas adicionadas no Facebook. E nada contra, mas eu não sou assim. Eu adoro ficar sozinha. Mesmo! Acho engraçado quando uma pessoa se diz chocada ao perceber que não sai de casa há uma semana, por exemplo. Eu passo um mês inteiro sem sair de casa numa boa. Nada acontece comigo, não estou triste, depressiva, ou qualquer coisa parecida. Eu só quero ficar no meu canto, (comendo, dormindo) lendo meu livro, assistindo minha(S) série(S), pegando um cineminha às vezes. Essas coisas. A questão é que a galera acha que isso não é diversão, é chatice.


Isso não quer dizer que eu não me permita passar momentos maravilhosos com as minhas amigas, que eu não saia pra ser feliz no meio do mundo. Quer dizer que eu dispenso aquele velho discurso tribalista "eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". Eu não sou de ninguém e não quero ninguém no meu pé.
No último final de semana este texto do incrível Felipe Fagundes caiu no meu colo. Ele conta um pouquinho sobre como não é muito fácil a vida dos introvertidos e lança um mini tutorial de como tratá-los. Só que assim, ele é uma pessoa bem mais legal do eu e é claro que o texto é muito melhor. 
E tu, também enfrenta tais dilemas? Me conta aí. 

Imagem: Daqui

6 comentários:

  1. Perfeito, Mari, me representou demais! hahaha É bem assim mesmo, adorei como você conseguiu expressar nosso drama no post.
    Abraços

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  2. Confesso que, como outros que já comentaram aqui antes, eu me identifiquei absurdamente com esse texto... Muitíssimo bem escrito, por sinal!

    Pelo direito de sermos nós mesmos; únicos.

    (Vou te acompanhar pelo Bloglovin daqui em diante porque, menina, seu blog é ótimo...)

    Boa sexta-feira para você!
    O Único Jeito

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