O cartão C&A e a minha boa educação

by - setembro 21, 2015


Juro pra vocês que um dia eu entrei numa C&A e uma moça perguntou, em três momento diferentes, se eu gostaria de fazer o bendito cartão da loja. É claro que ela lembrava de mim nas duas vezes seguintes à primeira, pois eu lembrava claramente da sua figura. E considerando que eu passei somente uns 15 minutos por lá, ela devia querer tirar onda com a minha cara, ou sofria de perda de memória recente. O que eu duvido muito. Passado o ocorrido, ficaram as perguntas: Por que eu, pacientemente, recusei fazer o cartão nas três tentativas da moça? Por que eu, na segunda vez em que a mesma me abordou, não perguntei se ela era louca por não lembrar que me fez a mesma pergunta havia cinco minutos?  Por que eu, na terceira tentativa, não pedi para chamar o gerente e reclamar que ela estava me incomodando?

Eu mesma respondi: A educação doméstica que meus pais tanto acharam que seria útil para a minha existência. Damn it!

Já falei umas duzentas mil vezes que eu não sou uma pessoa de muita paciência, mas apesar de poucas vezes levar desaforo pra casa, me considero uma criatura muito educada pro meu gosto. Eu não sei destratar as pessoas, brigar com as pessoas na rua, recusar de maneira rude um cartão C&A. E isso é uma droga. Não, Mari, isso quer dizer que você é gentil. Não, gente, isso quer dizer que eu sou idiota.

Concordo plenamente que o mundo se torna um lugar bem melhor quando a gente trata bem as pessoas. E eu realmente gosto de levar isso muito a sério. O problema é quando a pessoa insiste em ocupar o meu espaço vital, quando ela não entende que NÃO É NÃO. 

Outro tipo que bate na minha educação e fica por isso mesmo é aquele cuja função social é infernizar a vida do colega que senta ao lado. E onde podemos encontrar esse tipo? Claro que é nos coletivos. A pessoa senta na janela do ônibus, inventa um milhão de coceiras pelo corpo, tira um zilhão de coisas da bolsa, não para quieto. Chega até a colocar a mão na cintura durante toda a viagem. Sim, a mão que fica para o lado do corredor, formando um triângulo isósceles com o braço e antebraço, onde o cotovelo cutuca a barriga do colega. Não riam. Isso aconteceu comigo. 

E o que foi que eu fiz para ameninar a situação? Exatamente: Nada! Porque eu sou incapaz de dizer: "Moça, dá pra senhora tirar a mão dessa fucking cintura, pelo amor do 100ôr?". E por que não fiz isso? Pelo mesmo motivo que mencionei anteriormente: de tanto ouvir meus pais dizerem que eu e meu irmão não deveríamos incomodar as pessoas. Mainha, Painho (que não está mais aqui, mas aonde quer que esteja ainda deve ter a mesma opinião), os pais das outras pessoas não as educaram da mesma maneira. E o resultado disso é que elas acabam incomodando a gente. 

E haja: "Já tenho.". Para os: "Vamos fazer o cartão C&A?".


Créditos nas imagens.

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7 comentários

  1. DOREEEEEEI teu post. hahahahahaha.. Ahhh, eu odeio esse povo que acha que não é "tenta de novo".. Porque nossa, como insistem. Tem horas que dá até uma pena. Mas um segundo depois passa, hahahahaha

    E meeeeeu, quando você falou de coletivo, só lembrei de uma coisa aqui de SP que PUQUIPARIU, como me estressa. Comecei a usar transporte público aqui em sampa né? Daí que, eu gostaria de saber qual a POpalavracensurada do motivo da pessoa que NÃO vai descer naquele ponto, ficar com o corpinho lindo na porta? E pior, você quer descer. Pede gentilmente umas mil vezes licença, e a pessoa simplesmente finge que não é com ela. Por que senhor, por que?? O que eu fiz??? Me dá muita raiva, porque teve uma vez que quase perdi meu ponto porque a coisa não queria sair do lugar. E ela nem ia descer lá...

    Anyway. Foi só um desabafo

    Colar de beijos

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  2. Eu sempre digo que não levei documento nenhum. Aí ela dizem para trazer da próxima vez e me deixam em paz. hahahaha ;)

    http://livrosenerdice.blogspot.com.br/

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  3. Oiii
    Gostei do seu blog ele é bem interessante. Quanto à postagem, bem.. já trabalhei em supermercado e justamente como atendente de cartões. E num lugar onde passam mais de 500 pessoas por dia, não tem como marcar a face de alguém com quem conversamos por 5 segundos. Então é mais do que normal abordar a mesma pessoa na loja no mesmo dia. Tem gente que não tem boa memória e aborda o mesmo cliente 2x, 3x.. Isso acontece. Não sei se esse foi o caso dela com você. Mas é normal acontecer.
    Um beijo e sucesso com o blog.

    http://juliana-editions.blogspot.com.br/

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  4. Sou super adepta de dizer que eu já tenho. Ultimamente tô aprendendo a ser mais ríspida e responder que tenho enquanto ando pra evitar outros tipos de pergunta: "ah, você já tem, que benção, então vamos conversar sobre a promoção desse mês pro cartão" OH NOOOES
    Malditos cartões u_u

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  5. Lembro de uma vez que estava com uma amiga na C&A e uma vendedora ofereceu um cartão pra ela e minha amiga levou milênios para afastar a mulher, falando com a maior paciência da vida e eu só olhando embasbacada pensando em como eu só largo um "não to interessada" toda vez que sou abordada e me sentindo a pessoa mais grossa do mundo hahahah
    Minha mãe, ao contrário da sua, ainda tem menos paciência que eu, as vezes da até dó dos funcionários, mas ninguém merece né?

    Beijo!

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  6. Desculpa, mas não tive como não rir com o “formando um triângulo isósceles com o braço e antebraço” HAHAHAHHAHAAH
    Sabe, eu em identifiquei com seu post. Muitas vezes não disse nada em situações que eu não estava gostando por não querer ser mal educada ou chata. Realmente, a nossa criação faz diferença, mas cabe a cada um de nós ser “semancol” e respeitar o espaço do outro.

    http://heyimwiththeband.blogspot.com/

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  7. Gente, eu sempre minto, é fato.

    http://alinesecretplace.blogspot.com.br/

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