Por que o '37' do Armário Cápsula não funciona pra mim?

by - julho 03, 2015


Créditos: Pinterest 

Para quem não sabe o que é o "Armário Cápsula", sugiro a leitura deste texto. Mas basicamente consiste em montar um armário com pouquíssimas peças para cada estação do ano. A criadora do projeto se chama Caroline e explica todo o processo em seu blog, o Un-Fancy. Caroline acredita ser possível viver com 37 peças de roupa, incluindo bolsas e sapatos. 

O projeto de Caroline serve como INSPIRAÇÃO no que diz respeito ao consumo consciente, pelo menos foi essa a visão que eu tive. Muita gente se prende ao bendito 37 e faz de tudo para viver com esta quantidade de roupas, mesmo não sendo Caroline e não vivendo de acordo com a realidade da moça. E além de tirar a xerox do projeto, as pessoas insistem em dizer que isso é minimalismo. E é exatamente sobre isso que se trata este post: minimalismo não é sobre a quantidade de roupas de você tem.

Minimalismo não é sobre números. Minimalismo não é sobre ter poucas coisas. Minimalismo não é sobre viver em cubículos e conseguir carregar todas as suas coisas num carrinho de mão. Minimalismo não é sobre largar tudo e virar monge. Minimalismo não é sobre morar em ambientes com poucos móveis e pouca cor. Minimalismo não é sobre ser vegan e cultivar sua própria comida. Minimalismo não é sobre fazer yoga e meditação. Tudo isso pode fazer parte de um estilo de vida minimalista, mas não são o cerne da questão. - Dani Guedes (Trecho de um post sensacional sobre o assunto, sugiro a leitura completa)

Desde que eu resolvi adotar uma vida mais simples, me desfiz de muita coisa. Coisas que pesavam na minha rotina, coisas que me deixavam infeliz. Foram vários objetos jogados no lixo e muitos outros doados. Meu guarda-roupa também mudou. Doei praticamente metade do que eu tinha e continuo doando sempre que me dou conta de que não estou usando algumas peças. Só que todo esse declutter não foi baseado em um número, apesar de, no meio de caminho, eu ter topado com vários blogs/sites/revistas que adotavam projetos "quantificados". Muitos deles me serviram de inspiração, mas aprendi a não segui-los ao pé da letra.

Numa época dessas aí eu fiz uma coleção de 50 esmaltes. Depois de muito pesquisar sobre minimalismo e querer de fato seguir este estilo de vida, percebi que essa quantidade de esmaltes não significava nada pra mim. Me desfazer de boa parte deles me deixaria muito mais leve. E foi o que eu fiz. Joguei vários fora, doei alguns e só fiquei com aqueles que mais gostava. Fim da história. Percebam que, mesmo depois de achar totalmente relevante ter menos esmaltes, eu não estabeleci um número "perfeito". Não sei quantos esmaltes eu tenho agora, não vou contar, não me interessa. O que importa é que só fiquei com aqueles que eu realmente uso.

E é exatamente assim que eu coordeno o meu guarda-roupa. Uso todas as peças, se algo não me interessa mais, vai embora. Fim da história 2. Não vejo a necessidade de colocar um número na frente de cada "objetivo minimalista" que eu tiver na vida. E quando se trata de roupas é pior ainda. Um dos motivos é que eu sou dessas que tem roupa pra sair e roupa pra ficar em casa, o que deixa tudo mais complicado quando o ponto crucial é manter um armário com apenas 37 (ou o número que for) peças milimetricamente calculadas. Eu não vou usar uma blusa de qualidade ímpar, que me custou uma pequena fortuna pra ficar em casa. E até uso, quando ela estiver bem velhinha. Não corresponde a minha realidade estar com boas roupas 24hs por dia. Essas eu só uso pra trabalhar/sair.

Outro motivo é que quantificar as coisas não me traz nenhuma paz, não me deixa mais relaxada ou simplifica a minha vida, muito pelo contrário. Ficar presa a um mísero número me causaria muita frustração. Quantificar é limitar, e eu acredito que minimalismo não é sobre limites, é sobre liberdade. A liberdade de poder viver com menos, não com menos dividido por dois. Não faz nenhum sentido pra mim estabelecer quantidades para cada categoria da minha vida, porque eu sou humana e, olha só que interessantíssimo, eu não vou permanecer a mesma pra sempre. Claro que eu tenho minha personalidade, mas muita coisa muda com o tempo e amadurecimento. Eu nem sei se, sei lá, ano que vem, levarei a mesma vida que levo agora. E se tem uma coisa que eu aprendi com o minimalismo é que viver as coisas com calma e leveza dá muito mais certo do que ter aquele "molde" pra tudo.

O projeto "Armário Cápsula" tem uma proposta bem bacana, como falei no início do texto, serve para despertar a consciência de que é muito importante viver com menos e consumir de forma mais sábia. Mas será que todo mundo está entendendo isso, ou só estão preocupados em replicar quantidades, como se só o número importasse?

P.S: Não estou aqui para dizer o que você deve ou não fazer com o seu estilo de vida e com o seu guarda-roupa, perceba que o texto é bem pessoal. Estou dizendo que associar números ao minimalismo, como se só se tratasse disso, é pura falta de informação.

P.S.2: Quer uma dica para se orientar quando o assunto é moda e consumo consciente, bem como  o autoconhecimento na hora de se vestir? O blog da Érica Minchin é uma ótima opção. Dei uma passeada por ele esses dias e achei coisas maravilhosas. Adorei!

E você, o que pensa sobre o assunto? Conta pra mim aí nos comentários.

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7 comentários

  1. De um tempo pra cá eu tenho eliminado os excessos da vida. Ajuda muito na paz interior.

    PS: roupas ainda são um problema.

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  2. acho engraçado como as pessoas gostam de levar tudo ao pé da letra e se esquecem de absorver a essência da coisa. tanto que acaba se fazendo necessário textos como o seu, e outros que li também, pra lembrar o povo que né, estamos falando sobre consumo consciente, sobre ter o que nos basta, o que nos faz feliz. anyway, já tinha começado a aplicar isso na minha vida antes mesmo de conhecer o tal do armário capsula e achei bem bacana esse projeto. vi que tá sendo super útil pra muuuuita gente. isso que importa né? ♥ por uma vida mais leve :)

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  3. Adorei o seu texto.
    Finalmente entendi a essência sobre armário capsula e minimalismo. Realmente deve sere libertador.

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  4. nossa, falou e disse. Pra tudo tem que ter regra, tudo tem que virar um desafio. Acho que a escolha do numero 37 foi uma coisa super pessoal e não se aplica pra qualquer um.. o que importa é a essência do negócio, né? eu vivo limpando meu armário, meu quarto e minhas coisas, nunca dei nome pra isso. Agora, sou definida como "minimalista". Não ligo de ter um nome, mas nada de regras, números e condições.. faço do jeito que cabe na minha vida :)
    Bjs

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  5. Olás! Acho que o meu problema com o armário-cápsula vem justamente daí e dessa separação de roupas por estação. Eu não consigo fazer isso. Eu uso roupas de acordo com os dias. Se está frio (quase sempre está, de manhã), vou usar minha "roupa de inverno", mesmo que seja verão.

    E bem, meu guarda-roupa já é bem enxuto, mas mesmo assim eu consigo ter coisas que não uso. Com o minimalismo, aceitei que não preciso guardar para um futuro SE e que sou mais feliz não tendo que gastar tempo (e paciência!) escolhendo roupas. Estou reorganizando o que tenho, doando o que não uso/não usarei e comprando o que preciso e sei que vou usar.

    E estou ótima assim!

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  6. Roupas são sempre um problema.
    Eu fiz um enorme declutter no fim de maio (até postei o resultado), mas ainda tenho muita coisa.
    Tm não vejo o minimalismo como sendo ter poucas coisas. Entendo que temos que ter o que nos é necessário. Meu foco é eliminar os excessos pra que eu tenha tempo e disposição pra aproveitar o que realmente importa.
    Bjos e parabéns pelo blog

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  7. Muito bem dito!
    Gostei desse post. No meu blog tenho um post sobre o meu capsule wardrobe de 60 peças.. mas se manha quiser ter 70 ninguém tem nada a ver com isso. O numero não importa, desde que nos sintamos bem!

    Sophie.

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