A quem eu devo agradar mesmo, hein?

by - abril 12, 2015


Depois de ler esse texto maravilhoso da Anna, (não vou resumir, leiam que vale muito a pena) fiquei com vontade de discutir mais sobre o assunto. Sinto como se fosse um dever de toda mulher bater sempre nessa tecla, não somente para não esquecer, mas pra fazer as outras mulheres se lembrarem. Resolvi falar sobre padrões femininos de beleza no meu TCC porque acho um assunto super atual e importante, de fato discutir sobre isso faz alguma diferença.

Uma das dicas que a Anna dá para que você possa se sentir melhor com o próprio corpo é não ler mais revistas femininas. Há muito já não gasto um centavo com essas revistas, onde só o que estampam são modelos impossíveis de atingir. Já sou paranoica o suficiente com as minhas celulites, não preciso folhear 90 páginas de pernas e bundas perfeitas. Não sou obrigada. Dias desses reclamei no twitter que esse negócio de rotular as mulheres de 'plus size' é uma tremenda besteira. Por que dividir os desfiles de moda em 'desfiles para gente magra' e 'desfile plus size'. Por que não colocar todo mundo, de todo tipo de corpo na passarela e deixar a moda o mais democrática possível? Sem rótulos, sem magro, sem gordo, sem divisões. Apenas moda. 

Por esses tempos, em uma conversa casual, alguém falou que existe cabelo ruim e cabelo bom. Calma, não precisa achar isso um absurdo e colocar a mão na boca espantada. Vai parecer hipocrisia, sério. Você, eu, todo o planeta Terra e Marte já pensou assim alguma vez. Afinal, isso foi martelado exaustivamente na nossa cabeça durante anos. O problema é não se desconstruir e continuar pensando assim pro resto da vida. Isso é burrice.

Respondi à pessoa que cabelo bom e cabelo ruim foram termos criados por nós para rotular estereótipos, e que o que de fato existe é cabelo. Cabelo crespo, liso, ondulado, alisado, cacheado, assanhado, penteado, loiro, castanho, ruivo, preto. Mas não existe cabelo ruim e cabelo bom. Como já falei, eu não sou uma Madre Teresa, apenas tento me desconstruir todos os dias, e pensar de forma menos preconceituosa. Não é um exercício fácil, mas é preciso. É necessário. A gente tem que parar de achar um milhão de 'erros' em nós mesmas e parar de apontar nas outras o que achamos que é defeito.

* E não esqueça:


Sei que até agora falei de padrões femininos de beleza, mas isso vale para outras áreas da vida também. Um segundo motivo que me fez largar as revistas femininas foi o embelezamento da vida das mulheres expostas por lá. Todas muito felizes e bem sucedidas. RYcas de doer, com um apartamento dos sonhos e percorrendo toda a Europa nas férias, gastando com bolsas Louis Vuitton. Ah, Mari, mas essa vida serve de inspiração para as mulheres. Poderia até ser - pra vocês, pra mim não -, caso elas fossem retratadas como mulheres ricas de berço, e não como social media. Que mundo é esse que um social media de uma agência tem coleção de bolsas Gucci? Aos 25 anos? Quer dizer, não deu tempo de juntar dinheiro pra comprar uma só, quanto mais pra ter uma coleção.

A purpurina jogada em cima de algumas mulheres causa frustração em outras. Porque a gente sempre acha que, além de 'ser gorda e ter o cabelo ruim', não somos tão felizes e bem sucedidas quanto aquela menina da revista que tem menos de 30 anos e já conseguiu comprar a Lua. Somos bombardeadas por histórias muito mas interessantes que a nossa, muito mais bonitas que a nossa, muito melhores que a nossa, e sempre achamos que a nossa vida não tem nenhum valor. Damos o nosso sangue para não sermos quem somos, quando o que mais devemos fazer é agradecer por não sermos ninguém além de nós mesmas. 

Seria uma hipocrisia danada se eu terminasse esse texto dizendo que sigo tudo o que preguei até agora, mas eu acho que só assim, discutindo, falando, gritando, é que a gente se ajuda. Do mesmo jeito que é difícil pra mim sair de casa sem passar uma chapinha ou fazer uma escova, é difícil pra alguém aí vestir um biquíni, por exemplo. E tudo isso porque não nos achamos boas o suficiente. Mas a pergunta que fica, e que deve ser repetida todos os dias aos acordar, de frente pro espelho, fazendo biquinho e com nariz empinado, é:

A quem eu devo agradar mesmo, hein?

* E não esqueça Bônus:


P.S.: Sim, trocamos de roupa. Ainda tô aprendendo a mexer nesse layout, algumas coisas eu realmente não estou conseguindo, como por exemplo a data dos posts - que não aparece de jeito nenhum - e o "read more" nas postagens - que não consigo colocar em português. Até pensei em encomendar um, mas achei esse free, leve e solto por aí e baixei. O legal é que ele é muito parecido com um do wordpress e eu adorei. Quero ver agora quem vai encher o meu saco com história de plágio. Ah, talvez o desenvolvedor da fonte do header venha me processar. Vai saber. 

Créditos das imagens: Google e Tumblr

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1 comentários

  1. eu lembro que tinha visitado seu blog há algum tempo porque temos o mesmo nome (marianY, com Y!).
    agora voltei e tô me perguntando o porquê de eu não ter mais voltado. amei seu texto!

    a gente fica em crise às vezes por FALAR uma coisa e FAZER outra, quando falamos de quebrar padrões... mas sério, só de incentivar isso já é uma ajuda enorme pras mulheres desse mundo.

    se serve como 'tranquilizante', durante alguns meses, eu parei de passar química no cabelo. lutei pela aceitação do natural etc. mas há dois meses, quis cortar curtinho e passar selagem. fiquei 'em crise' com isso, sentindo que minha ideologia tinha se dissipado depois de eu ter feito isso, MAS hoje vejo que não. minha ideologia continua intacta. fiz isso no meu cabelo porque eu QUIS e não porque eu me senti obrigada a seguir um padrão. gosto do meu cabelo natural, com química, whatever! o importante é fazer o que quer, sem se sentir pressionada a isso. se eu quiser usar maquiagem, uso; se não quiser, não uso. simples assim!

    beijos :D

    www.pe-dri-nha.blogspot.com

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