Aprenda a rir e de si mesmo

by - fevereiro 03, 2015

Imagem:Zoomwalls

Se tem uma coisa que eu aprendi no decorrer desses meus 25 anos - ohhhh, quantos anos - é que ninguém tem o direito de abrir um sorriso às suas custas, a não ser que você esteja contando uma piada. Faça com que as pessoas parem de rir de você e comecem a rir com você.

Você deve estar pensando que isso está muito além do seu poder, que ninguém é capaz de controlar o deboche alheio. Mas sim, isso é possível e eu exemplificarei. Há um tempo atrás, uma pessoa incomodada com o fato de eu estar com o cabelo preso em um rabo de cavalo casual, veio até mim com todas as gargalhadas que tinha guardado a vida toda e cuspiu: "Mari, tua orelha aumentou de tamanho, tá enorme". Eu, ao invés de dar aquele sorrisinho amarelo, correr pro banheiro e soltar meus cabelos para esconder toda minha "vergonha", joguei de volta todas as gargalhadas que EU tinha guardado a vida toda, e respondi: "Eu nunca disse que eram pequenas".

Não pensei que meu comentário fosse fazê-la parar de rir, naquele momento eu só estava "avisando" que ela não iria rir de mim, mas comigo. Eu jamais seria o motivo do seu deboche, no mínimo a companheira. Mas acreditem, as risadas pararam no mesmo instante. Sou super intrigada com o comportamento humano - estou no curso errado, deveria cursar antropologia, psicologia, sociologia - e por muito tempo fiquei pensando no motivo pelo qual aquela bendita resposta tinha calado as gargalhadas daquele ser humano.

Bom, cheguei à conclusão - ou às considerações finais, já que ninguém conclui nada - de que a única coisa que eu fiz foi ~quebrar as pernas~ daquela pessoa. Todo o intuito dela era me humilhar, rir de mim, fazer com que eu não fosse digna de usar um penteado qualquer por causa do tamanho das minhas orelhas. E eu "provei" pra ela que a sua opinião pouco me importava, e que eu continuaria com o rabo de cavalo, mesmo se tivesse as orelhas do Dumbo. 

Eu sei que existe o bulliyng, e que as pessoas que sofrem esse tipo de assédio são massacradas e aterrorizadas emocionalmente. Mas este texto não trata de algo tão denso quanto o terrorismo praticado por gente estúpida. Estou falando sobre aquela picuinha do dia a dia, daquele direito que as pessoas (gente estúpida também, né) acham que tem de colocar defeitos em você. Elas, provavelmente, nunca se olham no espelho, nunca notam uma imperfeição, por isso acham que o resto do mundo é inferior.

Mas ai é que tá: essas pessoas sempre vão achar o resto do mundo inferior, enquanto o resto do mundo continuar se comportando de maneira inferior. Não quis soltar os meus cabelos e me esconder no quarto escuro da vergonha. Não quis dar ouvidos a alguém que não faz a mínima diferença na minha vida. Não acho minhas orelhas tão grandes assim e, mesmo que achasse, quem deve ditar as regras do meu corpo sou eu mesma. Ninguém precisa dizer o que acha certo ou errado, bonito ou feio nos meus atributos físicos e comportamentais. Eu sei de cada um dos meus detalhes e, por mais que queira mudar algo aqui ou ali, dou risada deles. 

Eu tenho espelho em casa, mas diferente de muitos, não vejo a perfeição refletida nele. Enxergo alguém humano, mutável, cheio de virtudes e repleto de defeitos. Reclamo da minha magreza, dos peitos pequenos, do nariz gigante. Mas nada disso me faz uma pessoa menos digna de usar um piercing no nariz ou um decote, por exemplo. Uso e faço o que eu quiser. E se alguém, por acaso, vier com o seu saco de risadas, não encontrará em mim um palhaço, mas alguém que está sentado ao lado, rindo também, apreciando o espetáculo que é a estupidez humana. 

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4 comentários

  1. Estou aplaudindo! Você disse tudo.
    Tenho pavor de gente que vem com risadinhas, deboches, tentando se aparecer nas minhas custas. Conheço muitas pessoas que tem mania de sair falando merda e colocando defeitos nos outros, inclusive em mim. Cara, assim como qualquer outra pessoa eu sou humana : cheia de defeitos, não sou perfeita.
    Espero que a pessoa que fez isso contigo leia esse texto, para ver se assim para de ser imbecil.


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  2. Você abordou o assunto com tamanha maestria que fiquei meio sem ter o que dizer.
    Acho que realmente tenho que rir das nossas imperfeições e tacar o foda-se para o que os outros acham delas.
    Bela reflexão.
    bjo

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  3. e se achar ruim vou usar rabo de cabelo não só uma mas duas vezes, HAHA ;) issae :*

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  4. Muito bom esse post. As pessoas estão cada vez mais séria e as piadas também não estão podendo fazer rir. Veja esse post que fiz http://www.arthur-claro.blogspot.com.br/2015/01/limite-do-humor.html

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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