Stop The Beauty Madness

by - setembro 20, 2014

Imagem: We Heart It

Ou pare com essa loucura de sempre ser o que os outros acham que você deve ser.

Quando fui convidada a participar desse projeto, toda sorridente corri para tirar logo a bendita foto de cara limpa. Não que eu use maquiagem 24 horas por dia e morra sempre que tenho que tirá-la pra dormir, mas porque eu acredito no projeto e acho super válida a iniciativa. Porém, apesar disso, tenho outras opiniões a respeito tanto desse projeto, quanto da vontade de estar sempre maquiada.

Sempre fui uma menina vaidosa. Sempre. Desde que me entendo por gente, passo batom (sem precisar de espelho) antes de sair de casa - hoje bem menos porque, como diz Dona Hermínia, depois de um certo tempo a gente entrega pra Deus -, não me vejo sem brinco e, há mais ou menos uns 5 anos, não piso na rua sem alguma coisa pendurada no pescoço. Para mim essas coisas tem um significado bem maior do que "beleza a todo custo". É que eu não sei mais não fazer/usar isso. Já faz parte de mim, do meu ritual, e eu faço não porque você acha bonito - eu nem sei se você nota -, mas porque eu acho bonito.

Eu acredito que as pessoas, quando resolvem pintar toda a cara pra sair, ou mesmo pra ficar em casa, querem se sentir bem, independente do que as pessoas vão achar ou não. A mesma coisa acontece com aquelas que resolvem assumir a beleza natural: não estão preocupadas com o que os outros pensam. Claro que tem gente que faz de tudo em nome da beleza, como se isso classificasse alguém como "melhor" e "pior". Se você usa toda coleção da MAC, você é melhor. Se não, xiii, sai de perto de mim. Mas o que eu quero dizer é que as pessoas tem o direito de decidirem como querem se apresentar, o que querem vestir, quanto devem pesar, e ninguém tem nada a ver com isso.

Ninguém é obrigado a gostar de nada. Eu mesma nunca usaria muita coisa do mundo da moda, por exemplo, mas eu tenho o dever de respeitar quem se sente bem se apresentando com o blazer por cima dos ombros (ô coisa feia!). Do mesmo modo que devo respeito às pessoas que não saem de casa sem meio quilo de pasta na cara. A questão é: você faz isso porque se sente bem, ou porque o padrão de beleza grita aos seus ouvidos?

Não serei hipócrita, sou bastante preocupada com minha aparência. Muito mesmo. Pra mim nada está bom: o nariz tá enorme e o peito tá pequeno, o cabelo tá horroroso e a balança indica o peso de uma pena. Mas apesar de ser super insegura, sou consciente o bastante para perceber que isso está errado, que eu devo desencanar e aceitar que não há base e corretivo no mundo que me fará ser outra pessoa que não eu mesma. E é exatamente aí que eu queria chegar.

Até um certo tempo atrás, a moda era se maquiar. Todo mundo tinha quase que a obrigação de estar maquiado. Hoje a coisa mudou, a moda é estar sem maquiagem, adotar um estilo mais natural. O que mais me irrita nesse vai e vem é que, obrigatoriamente, uma coisa anula a outra. Não sei se eu estou exagerando, vendo coisas demais na minha timeline, mas é incrível como as pessoas não chegam num meio termo. Hoje, ou você é um ser maquiado e, por isso, sem muita credibilidade, já que está fazendo o que a sociedade impõe e blábláblá zzzzzz. Ou você é um ser sem maquiagem, muito foda e maneiro, muito descolado e atualizado, nadando sempre contra a correnteza (ou seja, mais um padrão a ser seguido... tão enxergando?). Será que a gente não pode apenas ser, sem um termo que complete a frase?

Quer participar do #stopthebeautymadness? Ótimo! Corre lá e tira sua foto de cara limpa, só não esqueça de informar o propósito do projeto, por favor. Quer postar a make da balada de sábado à noite? Ótimo! Posta lá e não esquece de dar dicas de como tu fez, pra gente copiar, né miga? Quer viver de maquiagem? Viva! Quer viver sem maquiagem? Viva! O quanto antes devemos nos aceitar como somos, independente de padrões e imposições.

Mais do que participar de boas campanhas como essa - que depois de um tempo virou uma palhaçada só e ninguém levou mais a sério o propósito do projeto, usando a campanha para tirar sarro da cara dos outros - é aceitar de uma vez por todas que não há maquiagem que mudará quem você é. Nem a falta de maquiagem mudará quem você é. Nem o cabelo liso. Nem o crespo. Nem o alisado. Nem os quilos a mais. Nem os quilos a menos. Nem as etiquetas das suas roupas. Nem a falta de roupas. Enfim, não há nada no mundo exterior que mude o seu mundo interior. E isso sim é o mais importante.

Blogagem coletiva do Rotaroots.

You May Also Like

3 comentários

  1. Eu adorei essa campanha e até participei, apesar de ter tirado inúmeras fotos pra postar apenas uma (mulher tem dessas né?). Mas fiquei extremamente chateada, porque uma dentre as pessoas a qual tagguei fez chacota indiretamente via facebook. E ainda pensei em argumentar tudo isso que você falou, mas só perderia tempo. Essa pessoa em questão vive dramas de não se aceitar como é e, simplesmente, não enxerga isso. É muito triste ver que as pessoas se tornam reféns de coisas que: quando escolhidas conscientemente fazem um bem danado ao próprio ser. Seria tão bom se todos aceitássemos nossas limitações e imperfeições, porque é isso que também nos tornam interessantes.
    Aliás, esperando o dia em que adultos se comportem com mais respeito, e os adjetivos pejorativos sejam abolidos na hora de descrevermos coisas que não gostamos.
    Muito pontual seu texto, Mari!

    ResponderExcluir
  2. Confesso que não gosto de campanhas em facebook, instagram, etc. Mas o proposito dessa eu achei legal, mas não tirei a foto sem maquiagem. Tem um monte já postadas por ai. rs
    E nem foi por ser refém dos padrões de beleza, foi por não curtir essas coisas mesmo.
    Acho que quando a gente se sente bem sendo a gente mesmo é o que importa.
    Quem me dera uma roupa de grife ou uma super maquiagem resolvesse meus conflitos internos e abolisse os meus defeitos.
    Gosto de quando você escreve textos assim Mari. Esfregando umas verdades na cara da sociedade.
    Beijo

    ResponderExcluir
  3. Mari, Mari! Assino de cima até embaixo, o último ponto.
    A gente tem que aprender a viver bem com o que somos e da maneira que queremos ser! Ser escrava de algum propósito é surreal, doentio.
    Ontem, vim pro trabalho com roupa de acadimia, porque voltaria a pé e talicoisa.
    Mas hoje, vim de sandalinha e arrumadinha pra ir no Palácio das Artes, e passe o pó depois do protetor e rímel e lápis, porque cara, meu cabelo tava tão lindo que eu precisava valorizar mais o que já tava bonito sabe? Eu estava me sentindo bem pra me maquiar um pouco! (bem pouco). Mas esqueci de pinçar e pentear as sobrancelhas! AZAR!

    Também não vivo sem brinco (segundo furo e pircing, too) e amo uma sapatilha bem coloridinha.
    Sigo tanta gente da moda no insta, acho tão lindo... mas também sigo aquelas que seguem a linha natureba, porque acho maravilhoso.

    Cada um sabe a delícia de ser o que é, e que SEJAMOS do jeito que queremos ser, foda-se o resto.

    Amei a delicadeza do layout daqui.
    Beijão. ♥

    ResponderExcluir