E aí eu decidi ser eu

by - maio 08, 2014

Imagem:We Heart It 

Depois de ler dois textos essa semana - este e este - fiquei pensando no processo de amadurecimento pelo qual passamos ao longo da vida. Não é fácil desprender-se da imagem que construímos para ser admirada por terceiros e começar a construir a imagem que queremos ver no espelho. 

Foi só depois da escola que eu consegui olhar para dentro e perceber o quanto estava negligenciando a minha essência para dar vida a uma personagem. Eu queria fazer parte de um grupo que nada tinha a ver comigo. As pessoas com quem convivi na escola quase nunca compartilhavam das mesmas opiniões, dos mesmos gostos e estilo de vida que eu. Mas, ao invés de acha-los estranhos e “procurar a minha turma”, tentava me adaptar e sorrir amarelo para cada piada sem graça que eles contavam. Não foi fácil e eu não via a hora daquilo acabar.

Posso dizer que odiei a escola. Nunca me senti confortável no ambiente escolar. NUNCA! Das três escolas pelas quais passei na vida, em nenhuma delas eu consegui ser plenamente eu. Minhas amigas, apesar de serem ótimas pessoas, estavam interessadas em coisas que não faziam a mínima diferença pra mim. Mas eu sentia uma obrigação sobrenatural de agir, falar, ser como elas. Era isso ou ser chamada de “besta”. E quem quer ser chamada de besta aos 15, 16, 17 anos? Eu não queria.

O tempo passou (ainda bem!) e eu não sinto mais nenhuma necessidade de pertencer a um grupo descoladinho. Hoje minhas prioridades são outras e o que me interessa é dar voz ao que eu sou e ao que eu penso. Se as pessoas não concordam com o que eu quero pra mim, só lamento por elas. Decidi jamais me permitir ser outra pessoa que não eu mesma. Claro, não sou perfeita, tenho que me policiar todos os dias para nadar contra a correnteza, para ligar o modo surdez sempre que quiserem ditar algo ao pé do meu ouvido. Não é fácil, gente, mas é preciso.

O importante é você querer ser você, se aceitar como alguém diferente e não achar que os outros estão sempre certos ou são melhores. Eles não estão e não são. Não faz mal se você não gosta de forró (é), não vê sentido em balada (é 2) e adora ficar em casa (é 3). É assim que você é e não há nada melhor nessa vida do que ter orgulho de si mesmo. Aprendi que eu não preciso ser uma cópia de ninguém para ser notada ou reconhecida. Não preciso ter o que todo mundo tem, fazer o que todo mundo faz, pensar como todo mundo. "Sabe, aqueles bichinhos de cardume bem pequenininhos que quando um vira, todos viram ao mesmo tempo? Sabe como é? Eu acho a coisa mais linda quando um peixe nada sozinho. Não é a coisa mais linda quando um peixe nada sozinho e passa pelo cardume?".


Roubei na cara dura o trecho do filme "As melhores coisas do mundo" do texto da Gabi.

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5 comentários

  1. Ainda bem que a gente amadurece, né? Eu também passei por essas fases de querer agradar mais aos outros, mas hoje me preocupo mais comigo.
    Beijo!

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  2. Lindo! Fui incrivelmente descrita aí, apesar de nunca ter conseguido ser como minhas amigas, sempre me achei careta por isso -por um julgamento social- e nunca olhei para dentro de mim para me perguntar se era realmente aquilo que eu queria ser. Adorei seu texto e tudo por aqui!! Beijos
    http://escrituras-da-alma.blogspot.com.br/

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  3. Eu, por incrível que pareça, sempre fui a estranho por não ser careta. Não adianta, eu curto uma farra, umas loucuras, não ter juízo de vez em quando haha e só fui me encontrar quando saí de casa e conheci uma povo lindo e sem juízo que nem eu <3 mas é exatamente como você falou, a gente se transforma, muda nosso jeito de falar e agir pra se adequar a um ambiente que é, na verdade, ilusório. E essa é uma das melhores partes de amadurecer e crescer como ser humano: descobrir quem você é e se fiel a isso.
    Sempre adoro o que você escreve, muito obrigada por isso <3
    Beijos!

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  4. Caramba Mari! Parecia eu - sim - porque sempre não pertenci a um grupo e sempre fui a besta: que ama ler, que trabalha desde cedo e que odeia baladas e prefere o conforto do seu quarto.
    Ainda bem que a gente aprende que não adianta mudarmos pelos outros, temos que mudar se NÓS sentirmos necessidade disso e se isto irá ACRESCENTAR na nossa vida! mudar por nós e não mudar por nós também!
    Antigamente nem existia o termo 'bullyng' né, mas se estávamos fora do grupo, era o que sofríamos, a diferença é que hoje em dia, aquilo tudo passou a ter nome científico. :p


    Beijo! Adoro suas opiniões carregadas de verdade!

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  5. Encontrei seu blog e acabei me apaixonando pelo texto. Sabe, estou contando os dedos para quando tudo acabar, nunca me adaptei a nenhuma escola. Sofri em todas por não conseguir seguir o que eles queriam. Você escreve perfeitamente bem e descreveu o que muitas de nós sentimos mas não conseguimos falar. A vida é curta demais para agradar as pessoas, prefiro fica com meus livros escutando música de violino/ músicas que realmente gosto do que sair para baladas. Nunca vou ser a menina baladeira, que sai horrores e usa chapinha no cabelo e 3 toneladas de make, um salto alto. Nunca tentei ser desse modo, e nunca pretendo ser.

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