01 março 2014

O que eu quero herdar das pessoas

Imagem: KD Frases

Eu não nasci numa família cheia de posses e cartões de crédito sem limite. Também não tenho amigos que escrevem testamentos de páginas e páginas, deixando seus imóveis e obras de arte para todos que conhecem. Mas tudo bem, o que eu quero mesmo herdar das pessoas vai muito além de dígitos num extrato bancário. E olha, garanto que serei infinitamente rica se conseguir colher um ínfimo pedaço do que as pessoas a seguir me deixarão de herança.

Mãe: Simpatia/Sociabilidade/Generosidade – Se existe alguém mais simpático, social e generoso que a minha mãe, ainda não fomos apresentados. Nunca conheci pessoa mais aberta ao novo que ela. Não existe tempo ruim, nunca a vi de mau humor ou cara feia. Nunca trata mal as pessoas, mesmo quando está cheia de problemas. Muito pelo contrário, faz até o impossível se precisar pra não causar inimizades. Todos que a conhecem me falam: “Tua mãe é uma simpatia, né?”. É. Tudo bem que às vezes ela exagera. Se deixar, passa o dia contando a vida pra pessoas (a dela, a minha, do meu pai, do meu irmão, da minha avó, dos meus tios, etc), se abre como ninguém. Mas ok, ninguém é perfeito, nem a minha mãe. Pois bem, eu, antipática e antissocial como nunca se viu, gostaria muito de trazer essas características para minha vida a partir de agora. Eu quero ser uma pessoa melhor, abraçar o novo como se fosse um velho conhecido, abrir meu coração para o que é diferente, não reclamar tanto da vida, pois é a única que eu tenho.

Pai: Humildade/Desapego/Praticidade – Enquanto eu junto as moedinhas na esperança de, um dia, comprar um iPhone 5s, meu pai desfila com um Nokia 1661 (aqui) em que é preciso a força do Hulk para teclar o “0”. E ele está muito satisfeito, obrigado, com o celular que tem. Questiono o porquê dele ainda insistir em ficar com o aparelho velho e feio, mas a resposta é sempre a mesma: “Porque faz o que eu preciso.”. Você deve estar pensando, “nossa, que homem pão duro”, mas somente porque não conhece meu pai. Passei a vida inteira ouvindo que não adianta querer ganhar e guardar todo dinheiro do mundo se a gente não leva nada quando morre, pois caixão não tem gaveta (sim, meu pai é meio mórbido hahahaha). Ele poderia comprar um celular bem moderno se quisesse, mas de que lhe serviria? Meu pai sempre foi prático demais, muito objetivo. Ele precisa fazer e receber chamadas, pronto, e isso o Nokia feio faz muito bem. Também não se importa se o vizinho tem uma TV melhor que a nossa, ou um carro melhor, sempre me ensinou a nunca deixar de cumprir com as responsabilidades pra viver de aparência. Fulano tem um carro importado? Pois que tenha, o seu Golzinho vai e volta pra todo lugar, nunca o deixou na mão. Eu acho isso muito bonito: Não se importar nem um pouco com o que as pessoas pensam, com o que tem e como vivem. Não deixar a ganância falar mais alto e querer sempre mais e mais, ser agradecido pelo que já conquistou. Pois bem, eu quero ser uma pessoa desapegada, agradecida pelo que já consegui e não me importar se o jardim do vizinho é mais verde. Que seja!

Antigo chefe: Disciplina/Confiança – Tudo bem que ele estava mais pra supervisor que pra chefe, mas como o trabalho realizado passava por suas mãos antes de chegar aos superiores, eu sempre o vi como um chefe. E foi com ele que eu aprendi que a vida não é fácil, mas ela se torna ainda mais difícil quando não confiamos em nós mesmos. De sua boca ouvi as seguintes frases:

Eu sempre digo que sei fazer um determinado trabalho, mesmo que eu não saiba. Pesquiso, estudo, peço ajuda, arrumo um jeito de fazer. Não existe trabalho impossível, existe falta de confiança em si mesmo. Pouquíssimas vezes deixo alguém na mão.”.

Mari, não descarte um concurso público só porque oferece pouquíssimas vagas. Você não precisa de 100, você só precisa de uma.”.

Sou muito disciplinado. Se eu me proponho a fazer uma coisa, não descanso enquanto não terminar.” (E ele era mesmo! Sempre comentávamos isso no trabalho.).

Diante dessas afirmativas, fica impossível não querer herdar toda essa confiança e disciplina, não é mesmo?

Essas três pessoas foram as que primeiro apareceram na minha mente quando decidi escrever um post sobre o que eu quero levar das pessoas. Seus ensinamentos e estilos de vida me inspiram o suficiente pra que eu queira leva-los comigo para o resto da vida. Eles nem desconfiam, mas me deixarão uma herança incalculável.

Esta lista tem três pessoas, mas minha mente e meu coração está recheado de ensinamentos de outras pessoas. Um outro dia conto mais sobre elas.

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