26 maio 2013

Oh, meu Deus, me traz de volta essa menina



Você sabe que eu não sou de meias palavras. Nem de palavras inteiras. Tô mais pra grunhidos incompletos acompanhados de fungadinhas no teu pescoço. Eu não queria ter que ir assim, sabe, sem dizer que detesto seu gato fedorento. Ele não me deixa chegar perto de você, acha que em seus braços não tem espaço pra mais ninguém. Mas eu sei que tem, eu costumava caber aí sem sobrar nenhum pedacinho. Só transbordava amor. Esse parecia não caber em nós.

Me perdoa que eu te perdoo pelas marcas de unha nas minhas costas, aquelas feitas nos momentos em que nos perdemos um no outro. Me perdoa que eu te perdoo pelo mico que paguei no supermercado outro dia, quando você me chamou de neném na frente daquela simpática senhora e eu tive minhas bochechas apertadas por ela. Deixa eu entrar que te mostro o esconderijo secreto das barras de chocolate. Deixa eu entrar que prometo lembrar de comprar o pão, sem você precisar deixar aqueles bilhetinhos na geladeira: ''Mô, lembra de comprar o pão dessa vez, ow''. Deixa eu entrar que prometo te agarrar pelos sonhos e só te soltar quando você realizar todos eles. Não é verdade. Eu não prometo te soltar, mas prometo fazer você sonhar ainda mais.

Diz que a sua vida só tem graça graças a minha cara de sono. Não, não precisa dizer nada. Deixa que eu digo que a minha vida só tem graça graças a tua cara de sono. E ao ''Bom dia, chato.'', seguido de um sorriso incandescente. Desculpa por não notar os dois centímetros de cabelo que você cortou, é que ele tava preso num rabo de cavalo sexy e eu só notava tua nuca me chamando. Não diz que eu atraso a sua vida. As vezes que desliguei o despertador foi pra te fazer descansar mais 10 minutinhos. Por parecer uma garotinha indefesa e uma mulher maravilha ao mesmo tempo, você merece.

Dia desses, antes de dormir, uma casa, uma cachorro e umas crianças apareceram na minha mente. Elas cercavam você de um carinho gostoso. Puta merda, como foi bom imaginar o que poderia ser a minha família. Me deixa entrar que eu faço o diploma que tenho na parede trazer retorno. Te dou uma casa, um cachorro e a gente trabalha bastante, bastante mesmo, pra ter uns pirralhos que te farão chorar nas festinhas de Dia das Mães da escola. Eu sei que enquanto resmungo aqui, você tá aí sentada do outro lado da porta, arrebentando uma represa de sentimentos. Deixa eu entrar pra enxugar essas lágrimas, pra te aninhar no meu peito e dizer que vai ficar tudo bem. Pode me bater se quiser, descarregar sua raiva no causador dela. Eu não ligo, eu prefiro. Não saber de você é que dói.

Tá, tá bom, se não quiser abrir não abra. Mas saiba que eu te amo. Porra, eu amo! E descobri isso há muito tempo, desde quando pegávamos o mesmo ônibus pra faculdade e você sorria sempre que me via. Eu já imaginava tuas calcinhas rosa-pink estendidas no varal deste apartamento. Eu já imaginava que você adorasse café e odiasse chá. Eu já sabia que você cursava Letras. Eu já via tua cara brava depois da briga e plena depois do sexo. E eu passei 4 paradas além da minha só pra puxar assunto contigo, cruzando os dedos pra que você também já soubesse qual a minha banda favorita.

Eu vou levantar daqui, pegar o elevador e um táxi. Vou embora. Amanhã eu volto. E depois de amanhã. E depois de depois de amanhã. E sempre, até você abrir a porta, os braços, o coração. Até você me deixar entrar na sua casa e nunca mais me deixar sair da sua vida.

Texto para o #todoscomenta do Grupo Elite Blogueira. Pensei em escrever algo mais "fatos da vida" ou "questão de opinião", mas já que a maioria dos blogueiros participantes do grupo são poetas do coração, decidi por um texto cute cute. Não sei fazer poesia, não sei rimar versos, só sei falar de amor desse jeito. Ah, e às vezes eu canso de escrever e chamo o Mário. Ou o Matheus. Sei lá, ainda não decidi como se chama meu eu masculino. 

17 comentários:

  1. Bueno, apesar de não fazer parte da trupe dos "poetas do coração", algumas vezes já me aventurei por este campo minado que é escrever sobre o amor, sobretudo quando estava descornado. A falta da pessoa amada multiplica a inspiração para se escrever a respeito, o que justifica o sucesso de tantas duplas sertanejas pelo Brasil a fora.

    O texto tá realmente cute, mas preciso confessar que seu eu masculino é bastante feminino. Não estou chamando de gay, mas, via de regra, nós homens costumamos ser assim só no início. Quem é diferente disso pode ser perfeitamente classificado como exceção. Ou ilusão.

    Beijo!

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  2. Tentei várias vezes, invadir a casa e o mundo dele, mas não deu certo, não era pra ser. Beijos

    Mundo de Nati
    @meuamorpravoce

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  3. Mari, meu bem, que escrita tão cotidiana, no mais lindo sentido da palavra. É uma súplica muito real, a muitas pessoas. E me deu uma vontade de pedir para ser essa casa, essa pessoa, esse coração aberto.
    Falou de amor, mas falou linda, humana e verdadeiramente. Um texto cute, mas um cute com gosto de conversa de comadres, de vida cotidiana mesmo.
    Sei lá, gostei muito e fiquei aqui babando.
    Parabéns! Tá lindo!

    Beijo!

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  4. Ownnnnn... Que lindo Mari. Nossa, e que romântico. Dá uma mega de uma vontade de viver isso sabe? Esses pequenos detalhes que fazem a vida ter um total sentido. A parte do ônibus, só pra puxar assunto... achei tão "own".

    Adorei mil vezes o texto.

    Beeeijos.

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  5. Acho super legal uma garota escrever como se fosse "ele", tentando entrar na cabeça dos homens por ai e escrever como um. Como o Antônio disse, dá para notar o lado feminino no texto, mas me pergunto se não é porque já sabemos que é você quem escreveu. :)

    Lindo texto! De fato, "cute". Pode ser um capricho meu, mas acho que homem deveria se comportar assim, como no texto, quando faz o que não deve, correr atrás até não aguentar. rs

    Beeeijos.

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  6. Fantástico. Foi super romântico, mas sem exageros, profundo, cheio de sentimentos, mas com um toque que dá pra notar ser seu, só seu. Um toque que expressa a paixão que é do próprio texto e, ao mesmo tempo, uma moderação da própria autora. Em suma, super original. Mandou muito bem, Mari! Adorei mesmo.
    Ah, e adorei também o fato de ter escrito do ponto de vista masculino. Antes, cheguei a pensar que era super complicado escrever textos assim, até o dia em que escrevi naturalmente, com palavras que sempre quis escutar. Foi uma experiência bastante agradável e surpreendente, amei.

    Beijos!

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  7. Acho que poetas de coração são aqueles que conseguem colorar um pouco de lirismo em situações cotidianas. E é exatamente isso que li em cada letrinha desse seu texto.
    Mudar o foco das rimas e oferecer outra visão para uma usual declaração é algo que beira a genialidade. Atrai mais atenção que um pano vermelho ao touro numa legítima tourada espanhola.
    Nada mais poético e romântico que a criatividade.
    Com esse método, você não simplesmente conquista quem lê. Você desarma.
    E sem poder atirar, todos os alvos são seus.

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  8. Primeiro parabéns por conseguir escrever no masculino, não consigo.
    Segundo, parabéns pelo texto maravilhoso, eu nesse momento "amando" assim, tô feito besta chorando depois de ler tanto amor.
    Imaginei muita coisa lendo esse texto seu, mesmo acredito no "eterno enquanto dure".
    Sem dúvidas, o melhor texto seu que li ate hoje.

    Beijos

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  9. Oi Marii :D
    passei para te avisar que te marquei no selinho de indicação,

    http://enjoythelittllethings.blogspot.com.br/2013/05/meme-selinho-de-indicacao.html

    Beijos!

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  10. Seu "eu masculino" é um fofo, sabia? E eu acho, na boa, que ela deveria abrir logo a porta, o coração ou qualquer outra coisa, porque não é todo dia que um cara assume os erros e se entrega desse jeito... acho digno.

    E no fim, se ela não abrir a porta, acho que ele deveria fazer como a letra da música que diz "abre o teu coração ou eu arrombo a janela".

    Ficou lindo, Mari, adorei!

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  11. Cacilda! Quero um homem desses! Hahahaha
    Adorei o seu "eu masculino", Mari! Muito fofo, muito apaixonante. Investe nisso! Você, além de saber fazer textos críticos muito bem, também sabe escrever sobre amor.

    Um abraço da @ericona.
    Hasta!

    p.s: não sei se você já ouviu a versão do Renato Vianna dessa música da Maria Gadú. É bem mais linda na voz do Renato Vianna. Escute-a e me diga o que achou. ;)

    Sacudindo Palavras

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  12. O primeiro detalhe encantador dessa postagem: O guardanapo do Antônio embelezando tudo o que estava por vir;
    O segundo detalhe encantador dessa postagem: a música que eu dei play, percebi a introdução e depois só fui ouvir a letra novamente quando ela se encaixava perfeitamente no 5º parágrafo do terceiro detalhe encantador dessa postagem: todas essas palavras de amor ditas de um jeito tão intrigante, afinal quem não quer saber um pouco do que houve pro tal moço estar do lado de fora?! Mas mesmo sem saber uma coisa basta: esse amor é bonito e esse texto também!!!
    Abraço, Mari! ^^

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  13. Já estava com saudades dos teus textos recheados com algum desses doces que alimentam a alma quando percorrem a boca.
    Discordo um pouco de pensar que homem só é assim no começo. Até porque isso aí não é o começo. E tomara que não seja um fim.
    As pessoas, na verdade, precisam se sentir seguras para demonstrar sentimento a esse ponto, ou então ter a certeza que vão perder o que as faz sentir isso.
    Por mais amor e declarações assim e menos "Felicianos" transbordando preconceito. :)

    Beijo, Mari.

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  14. Ai que coisa linda. Queria tempo pra poder ter inspiração de escrever algo assim. Estou tendo nesse momento inveja literária.

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  15. Quando escrevo em "eu-masculino" é porque alguma coisa brada surdamente lá dentro e precisa ser correspondido com tudo aquilo que eu gostaria de ouvir. A história ficou linda e você mostrou que além de argumentar bem, também é uma ótima contadora de amores... Daquelas que vivem dentro de si àquelas inventadas.
    E hei de concordar, homens quando querem são imensamente carinhosos e românticos. Não porque lhes convêm, mas por sentir todo o encantamento de amar.

    Beijo, Mari!

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  16. Demorei mais cheguei! Que texto lindo e delicado, amei o modo como você descreveu o amor desse casal. Não sei se é porque eu to apaixonada mas me identifiquei muito com o texto. Beijos

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  17. Eu fiquei boquiaberta com a tua narrativa cheia de melancolia e tristeza, mas transbordando amor. De tudo, o que mais me encantou foi os detalhes desses dois, da rotina. Deve ser um amor tão bonito que, ao fim da última linha, fica com gostinho de quero mais, com desejo de abrir a porta para o final feliz.

    Ahazou, Mari. Ahazou. E eu morri de amores.


    PS: Prefiro Matheus.

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