Não perder por (não) esperar.

by - abril 21, 2013

Imagem: WeHeartIt

Quando ele entrou na sala, confesso que pisquei algumas muitas vezes pra ter certeza de que não era sonho, ou problema sério na retina. Quando que eu ia imaginar que nessa vidinha mais ou menos de pantufas do Taz e rabo de cavalo, deparar-me-ia (que coisa bonita!) com a personificação da perfeição?

Tudo bem que, não tendo nada melhor pra fazer ali, ele até pousaria os olhos em mim por meio segundo, só pra prestar atenção na minha cara de babaca. Mas não custava nada pendurar uma plaquinha no pescoço, onde luzes de neon gritariam a chamada: “Hoje é teu dia de sorte. Tô solteira e a fim de te levar pra casa, aproveita a promoção”. No alto, altíssimo, de minha timidez e vergonha na cara, preferi me encolher na cadeira, enquanto ele sentava ao meu lado.

Eu sempre fui uma moça jeitosinha, dessas que, na dúvida, prefere a dúvida ao ridículo total. Minha pele não é das melhores, meu cabelo muito menos, mas eu tenho um olho pequeno, que a cada sorriso, diminui ainda mais. Tá, eu sei que ninguém nota isso, mas não deixa de ser bonitinho. E, quase tendo uma crise de torcicolo de tanto olhar pro lado, torcia, com o dedinho cruzado e tudo, que ele percebesse que meus olhinhos estavam ainda mais pequenininhos por sua causa.

Reunião acabada, meu psicológico de empada já trabalhava uma abordagem do tipo: “Oi, tudo bem? Você acabou de ser admitido, né? Então, tá... A gente se cruza aí no corredor. Bem vindo, tchau.” Tosca não, era estresse pós traumático, combinado com a insegurança que a loira, alta e magra do setor de vendas descarregava em mim. Mas relaxe, minha competência de ameba me deixou sem palavras e, na melhor das hipóteses, demos um aperto de mãos. O suficiente para mais um sorrisinho de olhos pequeninos, e quase nada perto do abraço e dos dois beijinhos que recebeu da loira, alta e magra.

Bom, o final dessa história eu ainda não sei. O que eu sei, é que já passaram semanas desde a contratação do ‘BOM’ rapaz, e bem, devido ao tamanho da perfeição, meu estresse pós traumático ainda não passou. Na verdade, é crônico, não tem cura. Mas ontem, enquanto arrumava minhas coisas pra sair e dava risada de uma piada contada por um colega, o dito cujo se aproximou, sorriu (sorriu não, porque ele não sorri, ele ilumina) e disse: “Sabe o que eu percebi? Que seus olhos ficam bem pequenininhos quando você ri”. É!


*Texto originalmente publicado dia 18/04/2011 no extinto blog 'Proeminente'.


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6 comentários

  1. hehe gostei gostei eu sou igual a personagem olhos pequenininhos quando sorrio eita eita que venha um desses também aqui na minha empresa! hehe

    bjãoooo
    sonhos-perdiidos.blogspot.com.br/

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  2. Lindo, Lindo! Meus olhos também ficam pequenos quando meu sorriso ganha espaço na minha boca.

    Amei seu texto, :*

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  3. A gente nunca imagina que vamos encontrar alguém especial assim e que bom que encontramos.
    Lindo texto!

    Beijos

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  4. hoooow gostei bastante. rs venho aqui ler se tiver continuação o conto.
    beijinhos
    seguindo!

    http://anpensenisso.blogspot.com.br/

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  5. Os detalhes estão aí enquanto essência: inesperadamente, são captados e percebidos pela pessoa que desejamos.
    Abraços.

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