18 novembro 2012

Socorro, vou morrer, não consigo acessar o meu Instagram!

Imagem: Tumblr (como não poderia deixar de ser)

Dia desses a Nina, do blog Sobre Fatalismos, postou o seguinte comentário no Twitter: 
 ''E as bloguetes se vitimizam tanto: "Ah, eu quero ser feliz!", sem fazer esforço, filha? Tá pensando que é fácil assim?'' 
 Não que eu nunca tivesse percebido isso, mas comecei a prestar mais atenção na minha timeline. E não é que o povo chora mais do que o normal? E o pior é que não tem motivo algum pra isso. 

 Se sua vida social e virtual não é lá essas coisas, vai ouvir música, ler um livro, fazer novos amigos, não precisa ficar esfregando na nossa cara o quanto você é infeliz. Claro que falo isso pensando naqueles que, SUPOSTAMENTE, ''sofrem''. Agora, se sua vida social e virtual é uma merda e você choraminga o tempo todo que ninguém te ama, ninguém te quer só pra chamar atenção, vai procurar um tanque lotado de roupa suja de barro pra lavar. 

 O mais engraçado nesses comentários de tristeza profunda é a falta de verdade e o excesso de drama nas palavras, quem não conhece compra cada vírgula do que tá escrito. A maioria são adolescentes tumbleirianos (vocês entenderam) que, por terem a vida virtual chata e sem seguidores, derramam todo o talento para as artes cênicas virtuais em 140 caracteres, ou em fotos do WeHeartit com dizeres desesperados. Não esquecendo daqueles que não têm namorado, morrem de inveja de quem tem e arrancam cabelos com frases do tipo: ''Vou morrer sem conhecer o amor''. Isso com, sei lá, aos 18 anos de idade. 

 Quando esses aí estão cansados, ou quando está passando algum seriado nerd da moda e eles estão ocupados assistindo, entram em cena àqueles adolescentes reprimidos, travestidos de adultos, que acham que não ter dinheiro pra comprar um batom MAC, uma DSLR ou a biblioteca de Washigton é motivo pra entrar em depressão. Escrevem textos quilométricos sempre chorando que não são amados, realizados, ovacionados. Sim, porque se você tem tudo e não tem um batom MAC, meu amor, você só quer aparecer com essas lágrimas de crocodilo disfarçadas de palavras bonitas. 

 Sei lá, só acho que não conseguir entrar no Facebook, não roubar o namorado gato e hypster da amiga e não conseguir ler 50 livros em duas horas só pra mostrar o quanto é o foda da leitura, não é motivo pra ninguém se jogar de uma ponte. Nem encher o saco na timeline alheia.

5 comentários:

  1. De um modo ou outro, a gente reclama: ou reclama da própria vida - exagerando ou não -, ou reclama de quem reclama da vida. Não tem jeito.
    Mas uma coisa eu tenho comigo: se alguém que eu sigo começa a ficar massante e/ou irritante, eu simplesmente paro de seguir. Porque, sei lá, acho chato ditar regras, dizer o que deve ser ou não postado e como deve ser postado. Cada um tem sua cabeça, seu jeito. Cada um evolui conforme o tempo - e a vontade, claro.
    É a minha opinião. =D

    Sacudindo Palavras

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  2. Ainda estou para escrever mais profundamente sobre esse assunto. Na realidade, já fui uma "sofredora de internet". Esse foi o motivo de eu ter criado um blog: gostava de um garoto da escola que não me dava bola, mimimi, sabe? Mas isso era 2008, era moda ser triste assim. O problema é que as pessoas de fato exteriorizam sua dor, mas que dor é essa? Necessita ser verdadeira? Precisamos provar ao mundo a dor que sentimos? Não curto muito o tipo de blogueira que trata o tempo todo desse mesmo assunto. Tudo bem estar sofrendo, mas que tal ir ver um filme, ler um livro e depois comentar sobre isso no blog?
    Vou deixar contigo um trecho da Pilar Del Río, que lancei em meu penúltimo post. E acho que trata justamente do aparente futuro dessas meninas:
    “Os países privilegiados são países privilegiados e as pessoas que vivem nos países privilegiados não sabem o que têm e se suicidam de puro privilégio, não é? E não tenho pena dos suicidas do privilégio, porque toda a minha compaixão está esgotada com as pessoas que neste momento estão cruzando o oceano tentando cavar a vida com um bebê nos braços, mortas de frio, está certo? Minha compaixão está com esses, minha compaixão está com as crianças de cinco anos que estão trabalhando treze ou catorze horas. Minha compaixão está com os que estão trabalhando de sol a sol, por um salário miserável, também em Portugal e também na Espanha, explorados por empresários que vão à missa e batem no peito. Minha compaixão está com todos esses, não com os suicidas do Primeiro Mundo nem com os empresários maravilhosos que têm desgraças pequenas, pessoais, a mulher que lhe põe chifres e todas essas coisas. Desculpe, esses não são problemas meus. Esses não são problemas meus nem tenho a menor solidariedade, é como se machucassem os dedos…. Não me interessa o mundo rico. Não posso ter compaixão por eles.”
    É mais ou menos assim que as vejo. Daqui há um dia estarão cometendo suicídio porque "amam e sofrem demasiadamente".
    Abraços.

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  3. somos feitos de dramas! o pior pra mim não são esses dramas adolescentes e sim os compartilhamentos de frases de escritores famosos que a pessoa nunca teve capacidade de ler o livro, esse tipo de blogueira acredita que a felicidade é ter um namorado ser fashionista e ter milhares de seguidores, tadinhas elas não sabem o que é felicidades.
    beijos

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  4. Eu acho que isso sempre existiu, mas ficou pior com a explosão das redes sociais, porque agora todo mundo pode "comparar" seus "problemas" com os dos outros. Ter um problema com o qual as pessoas se identificam é legal, e daí vem a necessidade de compartilhar.
    A grande questão é que quem tem acesso a esse tipo de canal são pessoas muito parecidas, que obviamente, terão problemas muito parecidos. Quando surge algo como aquele vídeo de crianças haitianas lendo reclamações de pessoas de primeiro mundo, ou a carta-manifesto dos Guarani-Kaiowá, aí eles percebem como seus problemas são estúpidos... mas como isso só acontece 2 vezes por ano, o que prevalece é mesmo a impressão de que somos todos assolados pela insolúvel catástrofe da baleia do twitter.

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  5. Bom, eu reclamo muito no twitter, mas não pra chamar a atenção. Sou uma pessoa muito fechada que guarda sentimentos pra si e só me expresso escrevendo e por isso criei o blog há 4 anos atrás, no twitter ás vezes solto algumas indiretas desnecessárias, mas como a Erica falou, não julgo a forma de ninguém se expressar, aliás, julgo só se estiver escrevendo errado, ai critico, não por me sentir melhor, mas por saber que ta fazendo aquilo pra chamar a atenção porque estuda e etc.
    Digamos que meu twitter é uma válvula de escape!

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