25 novembro 2012

Pelo direito de ser quem eu sou



Quando fiz minha inscrição no MSN Messenger, lá pela era de 2003, nunca imaginaria que pudesse estar assinando meu atestado de escravidão. Logo depois veio o tal do Orkut, hoje já jogado às traças e cuspe no prato de um monte de gente que já provou da iguaria. Com esse daí eu autentiquei meu atestado em cartório e descobri que o contrato era vitalício, ou até eu me dar conta que a dona dessas contas sou eu. Não vice-versa. Nem vou falar sobre as outras tantas redes sociais que posteriormente foram me afogando no mar da ''vida de aparência''.

 No auge da adolescência esquisita que tive, minhas amigas apostavam corrida pra ver quem tinha mais solicitações de amizade no Orkut, ou quem possuía o álbum, até então com limite máximo para 12 míseras fotos, completo. E aquilo era engraçado, porque as fotos precisavam ser diferentes do habitual. Todos revelados ali tinham de estar bonitos, sorridentes e, principalmente, mentirosos. Bebi dessa água, não nego, mas acho que já aprendi a lição. Não compactuo mais com essa festa de ''ser quem eu não sou pra impressionar A e B''.

 Agora nessa onda de Facebook, Twitter, Instagram, todo mundo sente a necessidade de se mostrar. De se mostrar de um jeito especial (tudo é relativo), lúdico, para encantar os espectadores, seguidores e amigos e assinantes. Precisamos provar o tempo todo que somos felizes, tristes, lindos, feios, ricos, pobres, bem comportados, mal comportados, burros, inteligentes, enfim... Não se pode mostrar somente o que se é, o importante é fazer da situação um espetáculo para que várias pessoas se identifiquem (engraçado como as pessoas se identificam com o que não é real ¬¬'), mas principalmente, sigam e persigam o então ator da história. Cada vez mais eu vejo a perda da identidade, quase ninguém parece ter graça, são todos iguais e acham isso ótimo. Tem gente até que se irrita com comentários contrários aos seus. Poxa, se todo mundo pensar como eu, quero ser exilada daqui urgente. Entenda que ter coisas em comum com alguém não faz de você uma xerox da pessoa, principalmente no mundo virtual, onde quase tudo é mentira.

 A imagem no início deste post foi tirada de um tumblr que eu curto muito, o Cutícula. Mas, apesar de admirar o trabalho de quem faz, não gostei da frase exposta. Na minha humilde opinião, não há nada mais apaixonante do que entrar em contato com o lado real do outro. Ok, eu entendo que o escrito é tentativa de poesia, que é bonito falar dessa forma, mas caso eu tivesse elaborado a frase teria trocado algumas palavras. Eu gostaria de ver as pessoas sendo elas mesmas no mundo virtual, sem vestir a tendência do momento pra compor um blog mentiroso ou encher um baú de palavras bonitas somente pra receber comentários. Queria vê-las despidas de capas ''eu sou a mina/eu sou o cara'', vê-las nuas, sem a urgente necessidade de impressionar o desimpressionante. Você acha mesmo que pessoas interessantes se impressionam com o que não é autêntico? Parafraseando Nelson Rodrigues, ter seguidores e adoradores não interessa, seja interessante.

 Eu tenho certeza plena, absoluta, de que 90% das pessoas que passam por este blog saem com a impressão de que eu sou extremamente preconceituosa, péssima escritora e sem um pingo de conteúdo. Mas nenhuma dessas pessoas conseguem ver que eu só estou sendo eu mesma, sem frufrus, máscaras e melhores ângulos. Mas Mari, você é preconceituosa. Claro, você não é? Meu preconceito nada tem a ver com negros, homossexuais, nem sou adepta a tal da xenofobia (inclusive eu odeio e ainda vou escrever sobre isso). Meu preconceito é com gente que chora miséria, que diz que o outro é burro e não tem nada a acrescentar porque ouve forró/brega/sertanejo, que se acha melhor porque estuda em determinado colégio/faculdade ou porque tem um emprego em determinada empresa, gente que trata mal pessoas de classes sociais inferiores etc. Mas Mari, você é uma péssima escritora. Eu NUNCA disse que era escritora, nem ótima nem péssima. Juntar meia dúzia de palavras e fazer com que tenham sentido, pra mim, não é escrever. Mas Mari, você não tem conteúdo. Caso eu escrevesse sobre as coisas que eu não tenho, não faço, não falo, não sou, eu teria mais conteúdo, não é?

 O que quero dizer é que já não tem graça ver sempre a mesma coisa, ouvir as mesmas palavas, ler as mesmas linhas. Tá na hora das pessoas deixarem de ser escravas de redes sociais, de impressões que podem ou não causar, de pessoas que se acham diferentes se comportando todas iguais. Ta na hora das pessoas deixarem de ser as mesmas, para serem elas mesmas. Só acho.


6 comentários:

  1. Será que dar tempo antes do fim do mundo? kkkkkkk

    Eu já cansei de certas redes sociais... quero é sentir e ouvir gente de verdade... não suporto gente que quer se aparecer.

    Cheiro.

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  2. Dona Mari, dona Mari, não pense assim dos seus queridos leitores (to me incluindo nisso, haha). Cê escreve bem, dum jeito sincero que é bonito de ver.
    O bom da internet é que tu pode selecionar muito bem o que passar pelos teus olhos. Mas mesmo com tudo do jeito que se gosta (vendo só os conteúdos que te interessam, falando com pessoas pessoas legais e tal), nada substitui o mundinho real. Assim como uma imagem de pizza nunca vai ser melhor que comê-la de verdade :p

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  3. EU tb entrei neste mundo através do finado MSN, e por lá conheci meu namorado álias.. Mas foi por isso, pela oportunidade que nos demos de conhecermos um ao outro na "vida real", sem máscaras. E é assim que deveria ser, porque a maioria absoluta dos "amigos" que temos nas redes nem sequer são reais, pois só mostram a vida que querem. É triste mas essa exposição está ai para todos, nós escolhemos o que fazer dela, se será bom ou ruim. =)

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  4. Amei, Mari! Sério! Eu sempre levantei essas questões com minhas colegas de convívio quando morava no interior (você deve imaginar que lá essa questão de aparências, mostrar sua vida plena e feliz é beeeeem pior por lá). Me incomodava todo mundo mostrar ser bonito, feliz, rico e sem problemas nas redes sociais. Eu me sentia sozinha, parecia que só eu tinha problemas. Ao contrário de você eu não bebi dessa água, mas quis muito, viu. Não bebi porque sempre fui a rebelde revolucionária do interior só por não compactuar com esse padrão louco da 'cultura da felicidade'. Vou acompanhar seu blog agora!

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  5. Adorei, tacou o dedo na ferida e torceu!

    Identifico muita gente com essa frase: "Cada vez mais eu vejo a perda da identidade, quase ninguém parece ter graça, são todos iguais e acham isso ótimo. Tem gente até que se irrita com comentários contrários aos seus."
    Uma vez deixei um comentário com a opinião contrária. A pessoa nao fala comigo ate hoje.

    Quem aguenta?!

    Amei!

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