Faço de mim o que quero. Será?

by - setembro 15, 2012

Vamos parar com essa história de 'eu não devo nada a ninguém'. Nós devemos sim, todos os dias, à sociedade.
E daí que essa semana, na aula de Teoria da Comunicação, tivemos uma (ótima) palestra ministrada pela jornalista Ana Cláudia Matos. Entre fatos pessoais, lições de vida e experiências profissionais, eis que ela solta as palavras acima. Acredito que ninguém, além de mim, prestou atenção na fala e, não contente, resolveu refletir sobre o que realmente ela quis dizer.

Você pode ser você mesmo, plantar bananeira e dar cambalhotas para trás, mas não queira ser eleito com 100% dos votos. Toda ação gera uma reação. Não mato, não roubo, não trafico, porque sei que isso não é certo e, caso venha a fazer, receberei punições severas e até fatais. Mas, além de tudo, tenho uma imagem a zelar. Não quero ser vista como uma bandida, criminosa, devo me comportar como manda o figurino que me foi ensinado desde sempre. Consciente ou inconscientemente, fazemos quase tudo pensando na imagem que vamos passar. Não compramos uma roupa só porque gostamos muito dela, compramos porque está na moda, porque muitas pessoas vão adorar e querer copiar, porque muitos vão nos admirar. Não comemos uma comida somente porque é muito gostosa, comemos porque precisamos fotografá-la para exibir no Instagram. Não saímos de casa parecendo palhaças porque amamos maquiagem (eu amo, #beijomeliga) e ela é quase como nossa artéria aorta, assim saímos porque temos medo do que a sociedade pensará de nós, caso tenha o desprazer de nos encontrar de cara lavada. 

Enfim... O que quero dizer é que concordo com o que a jornalista falou: devemos explicações o tempo todo. Uma pena, eu diria, porque, não sabendo fazer isso corretamente, estamos perdendo nossa identidade.

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4 comentários

  1. temos liberdade, mas não sabemos o que fazer com ela, é o medo que nos impedi de sermos totalmente livres.

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  2. Não sei se a liberdade e que tanto falam é tão boa assim. Num mundo onde pais não respeitam filhos, filhos não respeitam pais, alunos batem em professores... não sei se tanta liberdade seja boa. Aliás, o que nos falta são regras rígidas a serem cumpridas e executadas com rigor. Mas o que se vê não é isso.

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  3. É verdade, Mari. A liberdade até existe, bem como esse clichê de "eu não devo nada a ninguém". Mas é bem como você falou, a gente já sai de casa preocupado com a sociedade. Mesmo sem saber. Nos arrumamos porque não queremos sair de casa para a faculdade, por exemplo, como mendigos - POIS TODO MUNDO VAI COMENTAR. Ou seja, você deve sim à sociedade! Sem ela, você não seria quem você é!

    Um beijo, sua querida!

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  4. Eu sou muito de contestar tudo, mas isso não tem nem como. Por mais que, claro, alguns são mais levados pela corrente do que outros. Todos somos influenciados e nos preocupamos com o que a sociedade vai pensar sim, do contrário viveríamos num tremendo anarquismo. Mas tem uns que parecem robozinhos: se vestem igual, leem os mesmos livros, vão pras mesmas baladas, ou seja, querem se integrar. Até aí todos querem, mas se integrar sem nem refletir direito se aquela galera tem mesmo algo a ver com você é no mínimo tosco.

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