Ensaio sobre a cegueira.

by - setembro 05, 2012

Já dizia Caetano Veloso: 'narciso acha feio o que não é espelho'. E quantos narcisos somos, não? Como àquele deus grego que se apaixonou pela própria imagem, seguimos nossas vidinhas idiotas mirando sempre nosso próprio umbigo. Não venha com esse discurso ''faceboolístico'' de que você ama tudo e todos. Seja homem o suficiente pra admitir que o que não se parece com você, segue abominável aos seus olhos.

Imagem:WeHeartIt

Vamos aos fatos... Se você gosta muito de maçã é mais provável se identificar com quem também goste de maçã. Mas se alguém discorda e diz que a pêra é muito mais gostosa, pronto, você já o decreta como inimigo mortal. Tenho uma teoria de que não aceitamos o diferente, porque ele nos mostra o que falta em nós e isso nos deixa putos da vida. É como descobrir que não se é perfeito, como o espelho nos mostra, como fazemos os outros acreditarem a cada ''twitte'' que expõe uma alegria ou tristeza exacerbada. Não se engane, expor muita tristeza também é uma maneira egoísta de chamar a atenção. Desde quando a ladainha do término do seu namoro é importante, criatura? Vê se enterra essa porra de coitadismo.

Ninguém quer saber que estamos em ano de eleição, que a Copa está batendo na porta, que os ônibus continuam lotados, o mensalão sendo absolvido e o sistema de cotas vergonhoso. Eu não quero saber disso. Você quer? É, foi o que pensei. Você ainda tem coragem de olhar nos meus olhos e dizer que se importa com essas coisas. Hahahahaha! É muita hipocrisia. Assim como eu, você lê tudo isso, se revolta, e volta pra o twitter pra contar sobre o iPhone novo que acabou de comprar.

Somos loucamente apaixonados por nós mesmos, só que da maneira errada. Estamos tão condicionados a enxergar somente um palmo a frente do nariz, que nada mais nos interessa. A gente quer é audiência. Somos um grande circo onde só sobem palhaços no picadeiro e a plateia é formada por pessoas de riso fácil.
Sei que muitas pessoas se importam muito com tudo que falei acima, vão às ruas, exigem explicações, ou até tentam resolver sentado no seu pc mesmo, tendo boas ideias pra mudar essa balela que a gente chama de mundo. Mas o texto é sobre eu e você, tá?

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2 comentários

  1. Desde que li sobre Narciso pela primeira vez - aos 8 ou 9 anos - me identifiquei totalmente. Sou narcisista e assumo, e isso é péssimo muitas vezes. Mas com o passar do tempo aprendi a lidar com isso e a me importar mais com as pessoas à minha volta.
    Well, o que você falou acima é bem certo. Há uma teoria psicológica que diz que odiamos nos outros o que não conseguimos suportar em nós mesmos. Acredito piamente nisso. São os instintos reprimidos subconscientemente, porque aquilo que a gente não gosta e não se identifica, a gente simplesmente ignora, mas não odeia com tamanho fervor.
    É algo complicado de lidar, mas nem tanto. Basta apenas se conhecer. E conhecer ao outro.
    Beijo!

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