21 agosto 2012

Não sou o cara.

Eu nunca soube ser o cara do 302, por quem você pisca mais de uma vez para sentir-se notada. Piscadas daquelas que a gente só vê em slow motion nos filminhos 'mamão com açúcar' que você traz da locadora sempre que tá chovendo. Desculpa se eu durmo quando a mocinha diz ao mocinho que não pode ficar com ele, porque a namorada dele tá grávida e pretende se atirar de uma ponte. Para o bem de todos e felicidade geral da nação, ele deve ficar com ela. Mesmo que doa, mesmo que sofra. Desculpa.

Só que eu sempre acho que a mocinha deveria ser mais moderna e saber que filho não dá nó em ninguém com ninguém. Mas não, tem que esperar até o final pra descobrir que a gravidez era falsa e, só assim, poder viver um felizes para sempre que sempre acaba quando os créditos sobem. Já sei, já sei, você tem certeza que o cara do 302 assiste os filmes até o fim quando está acompanhado. Mas sabe, o seu colo é tão mais macio, tão mais emocionante, tão mais envolvente que qualquer filme de final previsível. Eu só quero te curtir... Me deixa, vai?

Sei que nunca soube ser o cara do 302, aquele que você vive dizendo ser bem empregado, bem educado, bem encantado, que enche a namorada de flores e bombons. Tá, eu já vi só que não presto atenção no que você diz, que era noiva e não namorada. Inclusive, já tá anotado no meu bloquinho mental que todo mundo tá noivo, menos nós dois.

Já tô careca de saber que nunca serei o cara do 302, que segura o elevador, as compras e a Lola, quando você a traz do veterinário e não sabe onde pôs a chaves de casa. Ele a segura pra você poder procurar melhor na sua bolsa. Cavalheiro ele, coisa que eu nunca soube ser.

É, eu nunca soube ser o cara do 302. Duvido muito que consiga. Nasci em berço de lata, meu único emprego desde que me entendo por gente é o de sonhador. Escrevo pra te comprar um Sonho de Valsa, mas você vive dizendo que ser escritor não é ser engenheiro como 'você-sabe-quem'... E você repete, tentando me ferir, sem êxito: ''E quando a gente se casar? Se a gente se casar, né, porque pelo visto... Como vamos comprar uma casa, um carro, fraldas? Como? Com o seu amontoado de palavras é que não vai ser''.

Eu não sei ser quem eu não sou, amor, mas lá pelo dia 18 de janeiro de 2008 eu prometi que seria seu, só seu. E venho cumprindo minha promessa com a maior facilidade do mundo. Porque é muito fácil passar 302 dias com você, te dar 302 abraços, 302 beijos. Aliás, esse número é mínimo comparado a tudo que eu já te dei. Fui eu quem inúmeras vezes te vi chorar e inúmeras vezes enxuguei as lágrimas. Fui eu quem te deu incontáveis sorrisos de volta, mesmo quando sua piada não tinha a mínima graça. Eu sempre tô segurando a sua mão, sempre tô te pegando na faculdade pra você não voltar sozinha tarde da noite, tô sempre lambuzando seu nariz de sorvete e sua boca de calda de chocolate pra poder lamber tudinho depois. Sou eu quem te faz massagem quando sua cólica ataca, sou eu que te cubro de mordidas irritáveis. Sou eu que, quando te vejo perdida em pensamentos, sussurro 'te amo, te amo, te amo' no seu ouvido, pra que você possa direcionar seu pensamento ao que importa: nós dois.


Imagem: We Heart It

Sou eu, sabe Júlia, sou eu quem está sempre aqui. E eu sempre estarei, porque não importa se nossos filhos viverão num palácio ou nesse apartamento de um quarto só, eles serão amados, cuidados e acordarão todos os dias agradecidos por serem nossos. Por fazerem parte de algo muito maior que qualquer boa casa, bom carro e boas fraldas.

Olha pra mim. É esse cara aqui quem te ama. O cara do 302 só te vê por fora, nem imagina que por dentro tem uma menina medrosa, cheia de paranoia, que só dorme com os pés cobertos porque tem medo de fantasma. Te garanto, ele não passaria uma semana com você. Tu és um diamante bruto que só corações puros conseguem lapidar. Por sorte eu tenho um ingênuo e limpo, que já te aceitou. E esse aqui pode até ir embora um dia. Mas se for, pequena, ele volta. Ah volta!

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