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08 janeiro 2019

Imagem: daqui - Artista: KwangHo Shin

Eu resolvi escrever este texto agora, aos 29, pra que eu não tenha que escrevê-lo aos 30. Porque aos 30, gente, eu quero tá tudo (inclusive em Nova York), menos em crise.

Diferente de 99% das pessoas que, aos 30, meio que se desesperam com os pés de galinha e a flacidez, eu não tô nem aí pra minhas rugas imperceptíveis e meu bigode chinês (na verdade eu tô, mas o que eu posso fazer?). Meu problema mesmo é que eu já vivi quase 30 anos e é como se eu tivesse vivido 30 dias. Nada, absolutamente nada aconteceu. Tá, aconteceram lá coisas legais e coisas terríveis, mas é o que acontece com todo mundo: a vida. Nada, aqui no meu microuniverso, está relacionado a afazeres, sabe? O que eu fiz da minha vida em 30 anos? Assisti 10 temporadas de Friends. De que isso serve?

Eu passei metade desses 30 anos na escola, me esforçando para ser a melhor aluna da sala, nos primeiros anos, e rezando pra acabar logo aquele inferno, nos últimos. Terminei uma faculdade que me rendeu uma nova visão de mundo, é verdade, mas nem um centavo no bolso. Não tenho uma carreira, sempre pulando de subemprego a subemprego pra poder pagar uma brusinha de vez em quando. Crises de ansiedade, um ataquezinho de pânico e uma receitinha de tarja preta guardada na gaveta me trouxeram aos 29 anos. Dá licença que tá difícil?

E tá, eu já sei que isso não é privilégio meu, que os white girls problems tão aí aos montes, ai, como eu sofro. Mas gente, é complicado, principalmente quando você não nasceu uma Kardashian-empreendedora-realizadora-dos-próprios-sonhos. Principalmente quando você até parecia uma pessoa inteligente, vanguardista, 'essa menina vai dar certo com certeza'. Eu já procurei tanto, mas ainda não encontrei o lugar exato onde me perdi. O trem deve ter tomado outra direção enquanto eu cochilava e acabei aqui, não é possível.

2019 será um ano difícil. Grande parte por causa do que todo mundo já sabe (sim, ELE mesmo), mas pessoalmente falando, será o ano em que eu precisarei me reinventar, porque de jeito nenhum eu quero chegar aos 30 como um disco arranhado. Ou vira o disco, ou joga esse disco fora, colega, pelo amor de deus.

P.S.: Eu até escrevi um textão sobre voltar a blogar (depois de mais de um ano) e como isso me deixa feliz, etc e tal, mas fiquei com preguiça. Não é como se eu tivesse uma legião de leitores esperando ansiosamente a minha volta. Eu tô aqui nem sei até quando. Então só oi, de novo!

14 junho 2017


Imagem: Daqui

Eu gosto muito de assistir vídeos de resenhas de livros no Youtube, pois não somente é uma maneira de descobrir novos títulos, como de saber se a leitura "vale a pena". Isto, claro, se você se identifica e se importa com a opinião da pessoa que está disponibilizando aquele conteúdo. Para que eu possa construir a minha própria opinião, sinto a necessidade de assistir ao vídeo até o fim, considerando todas as explicações, todos os motivos pelos quais a pessoa gostou ou não da obra. 

Infelizmente nem todo mundo é assim. Digo infelizmente, pois considero que uma opinião sobre qualquer coisa só pode ser construída quando se tem o máximo de informações (e informação não é somente aquilo que a gente quer ouvir, ok?). Três estrelinhas não é informação, né gente? Lá estava eu assistindo a mais um vídeo-resenha, quando dou de cara com o seguinte comentário: "quantas estrelas você dá para essa série". Levando em consideração que a moça do vídeo passou oito minutos de sua vida falando sobre a série, contando toda a história e dando o seu "veredito", só posso crer que a pessoa que fez o comentário nem sequer se deu ao trabalho de assistir. Por que as estrelas importam tanto?

Por esses dias aí estreou Mulher Maravilha e a galera ficou ~maravilhada~. Alguns disseram ser o melhor filme de super-herói ever, mesmo sem sequer terem assistido. Tudo isso porque a película exibia grandiosos 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, famoso site de compilações de críticas, e, portanto, o argumento mais válido que existe na face desta e qualquer outra Terra. Ok, não é nenhum crime se basear em sites desse tipo para decidir assistir algo ou não. Mas por que esses 96% importam tanto? 

Eu não gostei tanto assim de Mulher Maravilha, no meu ranking ele não tem 96% de aprovação. E, pra mim, o único ranking que importa é o meu mesmo. Não interessa que meio mundo adorou e construíram um altar para a Wonder Woman¹, meu filme favorito de herói continua sendo Homem-Aranha 2 (Sam Raimi, 2004) e pronto. Vejam bem, não estou dizendo que a minha opinião é a que conta. Mentira, estou dizendo sim, mas num âmbito muito pessoal. Não é um 100% no Rotten ou cinco estrelinhas em qualquer outro site, que vai fazer com que automaticamente eu goste das coisas. Eu não sou obrigada.

Tomar como verdade absoluta as estrelas que alguém dá para um livro sem ouvi-lo explicar o porquê (ou de fato ler o livro), sorry, mas é burrice. Recortar a porcentagem de aprovação de um filme em sites de críticas sem se dar ao trabalho de ler um review sequer (ou assistir ao filme), também é burrice. Construa a sua opinião com base em explicações, em fatos e contextos. Não se venda por tomates e estrelas. Assim como eu, você também não é obrigado.

¹ Eu entendo toda a comoção, entendo a importância que esse filme tem hoje, assim como toda a expectativa criada. Mas eu não posso me trair e achar que as minhas expectativas importam mais do que as minhas experiências. Eu queria ter saído do cinema com o queixo no chão, eu queria ter derramado lágrimas, eu queria muito ter ficado maravilhada, porque foi isso que eu esperei, mas não aconteceu. O filme é bacana em vários aspectos, eu recomendo que você vá assistir para tirar suas próprias conclusões. Não funcionou muito pra mim, mas pode funcionar pra você. 
19 abril 2017

Eu sei que muita gente não se agradará desse post. Primeiro porque pouquíssimas pessoas que eu conheço gostam de músicas em espanhol, segundo porque o pop romântico¹ vive meio à margem do que é cool e descolado e millennial. O negócio é que eu realmente tô me lixando se é brega e a galera do Twitter não curte, ninguém tá pagando pela minha conta do Spotify mesmo (nem eu mesma, já que só uso a free).

Confesso que o que me aproximou da música em língua espanhola foi a famigerada novelinha Rebelde que passava no SBT. Eu amava aquilo, minha gente, não perdia um capítulo, comprei todos os cds, dvds, revistas e pôsteres que vocês possam imaginar, e ainda assisti a um show deles coladinha na grade. Mas mesmo depois de passar todo o burburinho, a novela chegar ao fim e a banda anunciar o encerramento de suas atividades (e, eita, 11 anos se passarem e eu meio que ficar 11 anos mais velha), o meu carinho por músicas em espanhol continua firme e forte.

Tá, eu sei que muito antes do RBD aparecer na TV do Tio Silvio, Thalía, Ricky Martin, Shakira e Alejandro Sanz já sambavam na nossa cara. Eu sei. Mas o meu interesse por música latina (e quando falo música latina, não aponto somente aquelas de batidas gostosas para dançar, mas música produzida por latinos - tirando os brasileiros, né) se intensificou depois de ouvir o sexteto mexicano.

E aí que eu comecei a pesquisar e descobri que o México é muito top nesse negócio de música pop romântica (como não poderia deixar de ser, não é mesmo?) e tem umas bandas muito legais e gracinhas. Inclusive eu acho que a qualidade vocal² dos mexicanos supera a de muitos brasileiros que fazem bastante sucesso por aqui. Não posso falar sobre a qualidade musical, em termos técnicos, já que, além de não entender tecnicamente de música, o tempo me fez aprender que gosto é que nem pé (pra não dizer aquela outra palavra monossilábica nesse horário).

Sem mais delongas, vamos às bandas:

Vocês com certeza lembram da música Me abrace, parceira da Wanessa Camargo com a Camila. Apesar da versão em português ser ok e tal, eu não sou muito fã de versões e queria escutá-la inteiramente em espanhol. Até que achei a discografia da Camila e, minha gente, UAU! Bom, UAU! pra mim, né, que amo esse tipo de música e todo um dramalhão mexicano.

Camila tem/tinha como integrantes Mario Domm (direita), Pablo Hurtado (esquerda) e Samuel "Samo" Parra, este deixou o grupo após o segundo álbum. Mario Domm é um phodão lá do México, meio faz tudo, sabe? Canta, atua, produz, compõe, toca um milhão de instrumentos, planta bananeira. A banda já ganhou três Grammys e vários prêmios Billboard. Enfim, é coisa de louco esse povo.

O que mais me chama atenção no trabalho do grupo, além das vozes maravilhosas, são as letras (românticas, sim, dá licença) bem escritas e as melodias. Como já falei, o Mario Domm é multi-instrumentista e fica muito claro a capacidade dele de extrair o que há de melhor nos instrumentos, inclusive o mais recente disco da banda está disponível em uma versão completamente instrumental.

Tá no repeat: 



EXTRA: Thalia canta Mario Domm



Jesse e Joy são tipo Sandy e Junior. São irmãos que cantam. Bom, não sei se eles começaram tão novinhos quanto os irmãos tupiniquins - o primeiro álbum da dupla data de 2005 -, mas é basicamente a mesma vibe. Os dois já ostentam alguns Grammys na prateleira de casa e têm o álbum com um dos títulos mais originais que eu já vi: Com quién se queda el perro? (em minha livre tradução: Com quem fica o cachorro?) Pra falar bem a verdade, ainda não ouvi todo o trabalho da dupla, a conheci recentemente, mas o amor já tá muito forte. Já tô me programando pra ouvir até o ouvido sangrar. Ah, Ecos de Amor, um dos singles deles, estava na trilha sonora de Malhação (na versão em inglês).

Tá no repeat:



EXTRA: Jesse & Joy feat. Alejandro Sanz



Ha*Ash, que se pronuncia "Rá-Ache", é uma dupla meio estadunidense, meio mexicana. É que as irmãs Hanna (direita) e Ashley (esquerda) (daí o Ha*Ash) nasceram no estado americano de Luisiana, mas alcançaram o sucesso cantando o nosso pop latino de cada dia (bom, eu não sei se elas têm descendência mexicana, não encontrei essa informação). As meninas são super talentosas, compõem pra vários artistas e programas lá no México, também tocam vários instrumentos e tal. Uma das coisas que me fez abrir bem os ouvidos e o coração para a dupla foi a qualidade vocal delas, principalmente da Ashley. O ao vivo parece um cd de estúdio, de tão afinadas que elas são. Eu sou muito apreciadora de uma boa voz, gente, por isso fico de cara com esse povo.

Tá no repeat:



Meu xodó da vez, tô amando muito esse trio extremamente fofo. Matisse nem sempre foi Matisse. No início era somente Pablo Preciado (esquerda) e suas doces canções (interpretadas por vários outros artistas mexicanos). Daí que ele resolveu juntar seu violão com o o violão de Ramón Torres, co-autor de várias letras, e com o ukulelê de Melissa Robles, esta descoberta por um vídeo que postou no Youtube. A junção dessas três pessoinhas resultou numa coisa tão cute cute que, desculpa, mas é impossível passar ileso (se você não achar Matisse a coisa mais fofa do mundo, cê deve ser um capricorniano coração de pedra. E olha que eu sou capricorniana). A banda é mestre em fazer músicas gostosinhas e sensíveis, e haja doçura nas vozes <3

O canal da Melissa no Youtube é muito bacana, além de fazer covers bem legais de músicas conhecidas do grande público, ela ainda dá umas aulinhas de ukulelê. A moça também é bem estilosinha (mais pro lado basiquinha, sabe) e eu tô amando alguns de seus looks. Se tiver curiosidade, dá uma olhadinha no Instagram dela. 

Tá no repeat:



EXTRA: Ha*Ash feat. Matisse



Sei, repito, que nem todo mundo vai gostar dessas bandas e de seus estilos musicais. Mas mantenham a mente aberta, please, fiz esse post com tanto carinho <3. Se tu ficou com preguiça de ouvir as sugestões que coloquei de vídeos no Youtube, fiz uma playlist do amor:



¹ Eu falo daquele pop romântico que não está na moda. Ed Sheeran, Bruno Mars, John Mayer, por exemplo, fazem pop romântico, mas estão na moda, cantam em inglês, automaticamente se tornam bons. Não que não sejam, por favor, são ótimos (na minha opinião). A questão é que tudo que não está dentro da nossa panelinha é brega, é chato, é ruim. 

² Cês vão me desculpar, mas eu acho que qualidade vocal é indiscutível (sei que não é, mas na minha cabeça é). Tem gente que canta bem, gente que canta bem mais ou menos e gente que não canta. Isso pra mim é muito evidente (sorry!). Existe uma porrada de tecnologia que faz com que as vozes fiquem impecáveis num cd, mas somente quando o assunto é afinação. Qualidade vocal vai além da afinação (ora, Adele desafinou no Grammy, isso diz alguma coisa sobre a qualidade vocal daquela mulher?), pra mim é uma questão de passar segurança para o público. Para ilustrar o meu ponto de vista, vou mostrar três pessoas cantando ao vivo: 1) uma que canta bem, 2) uma que canta bem mais ou menos e 3) uma que não canta. Perceberam a diferença? Desculpa, gente, mas é muito óbvio pra mim. Desculpa, desculpa, desculpa.
*A qualidade das letras e da melodia, o sucesso, reconhecimento e o estilo musical do artista, não vêm ao caso neste ponto. Aqui eu falo SOMENTE do que eu considero qualidade vocal.