21 dezembro 2016

O que eu quero fazer no/do meu 2017

Imagem: Daqui

Todo final de ano é a mesma coisa: depositamos todas as nossas maiores e mais sinceras esperanças no ano que está para começar. E costumamos fazer isso bem no estilo "toma que o filho é teu". Tipo, a gente quer que o ano novo seja mágico, mas ele que se vire pra fazer o alohomora e abrir as portas. A gente só quer sentar e esperar. Mas esperar o que, se o ano novo nada mais é do que um grande calendário? O que o calendário faz além de assistir o tempo passar?

Outra coisa que surge muito nessa época de final de ano são as listas infinitas (e surreais) de metas para cumprir no ano seguinte. Só que tratamos essas metas como leis pétreas, o que acaba virando uma grande chatice durante o ano e uma grande frustração no final dele. Porque não basta a vida toda doida que a gente leva, tá lá escrito na lista: construir uma casa com as próprias mãos sem a ajuda de ninguém. Porque É CLARO que a gente vai conseguir.

Não estou dizendo que uma pessoa não consiga construir sozinha a sua casa, só acredito que metas devem ser tratadas como possíveis realizações, não como obrigações ferrenhas, sem brechas para imprevistos e desistências. Porque, olha que interessante, a gente muda. Pois é, por incrível que pareça. E tá tudo bem. E eu acredito muito em metas que estejam dentro da realidade de cada um, para que, novamente, não se transformem numa grande frustração.

Pensando nisso, eu resolvi rabiscar o que eu quero fazer no/do meu 2017. Sim, o que eu quero fazer, não o que eu espero dele, não com listas cheias de itens bizarros. Coisas simples, mas que podem fazer o meu 2017 um ano bem mais bacana de ser vivido. (Sugiro que você sente, pois sou dessas que contextualiza tudo e este texto ficou gigante). Vamos lá:

RECLAMAR MENOS - Há um tempinho eu deixei de seguir uma ~digital influencer~ no Twitter (que estranhamente trabalha com conteúdo sobre coisas boas, felizes e do bem) porque toda santa vez que ela aparecia na minha timeline era com uma reclamação. Ok, o Twitter tá aí pra isso, mas coerência zero com o conteúdo que fazia nas outras plataformas. Não é possível que uma pessoa não tenha um minuto de felicidade na vida, quando o seu trabalho é falar sobre coisas boas. Bom, como faz muito tempo que isso aconteceu e não voltei a segui-la, eu não sei se ela só estava passado por uma fase ruim e resolveu soltar os cachorros, ou se isso é uma constante. O fato é que aquilo martela a minha cabeça até hoje porque eu sou uma grande reclamona. Juro pra vocês que eu sou INSUPORTÁVEL. Gente, eu reclamo quando chove, quando faz sol, quando eu tenho que atravessar a rua, subir uma ladeira, calçar um sapato, beber água, respirar, viver. Eu reclamo de TUDO. E isso é chato pra caramba, principalmente quando você mora com alguém que não reclama de nada. 

Eu não percebia o quão reclamona eu era porque eu morava com meu irmão - o maior de todos e qualquer reclamão do universo. Quando eu vim morar com o meu noivo, a ficha caiu, mas ela caiu bem caída, sabe? Ele não reclama de nada, minha gente. E eu sei que você vai pensar: "ixi, gente chata que não reclama", porque parece que o bacana, o cool, o descolado, o ~millennial~ agora é ser "o insatisfeito" (aqui eu queria colocar aquele emoji dos olhos revirados pra você). Não, ele não reclama porque não encontra motivos para reclamar. Porque reclamação é uma questão de percepção - comprovado cientificamente por uma universidade que fica num pólo dentro da minha cabeça. Mas sério, a gente reclama porque vê determinada situação como uma completa bosta, mas uma outra pessoa pode ver tudo aquilo como uma grande oportunidade.

Veja bem, não estou dizendo que nós devamos ignorar nossos problemas, que eles não são suficientemente ruins para que possamos extravasar, mas que reclamar do irremediável é meio... idiota. E é por isso que em 2017 eu quero reduzir as minhas reclamações para coisas que eu ache que realmente valham a pena, tipo quando a TIM come meus créditos. Claro que não vou deixar de fazer as minhas piadinhas de "ai, que calor de 50º" no Twitter, mas não quero sair pra passear e estragar o passeio com um choramingo mal humorado de "ai, que calor" a cada cinco minutos. Porque o sol, minha gente, o sol não vai olhar bem na minha cara e dizer: Ok, Vossa Majestade, eu vou parar de brilhar um pouquinho e me esconder aqui atrás das nuvens para que a senhora se sinta bem.

AGRADECER MAIS - Certo dia eu estava me preparando para dormir quando bateu uma fome danada. Levantei da cama, fui à cozinha e preparei um sanduíche de queijo com presunto. Terminado o sanduíche, escovei os dentes, bebi uma água e deitei novamente. Quando encostei minha cabeça no travesseiro, uma onda de gratidão tomou conta do meu ser. Sério gente, eu juro, foi uma coisa incrível. Na hora eu agradeci pelo lanche e pensei em quantas e quantas pessoas não estariam, naquele momento, ansiando por um pedaço de pão. Eu, além do pão, tinha queijo e presunto. Não sei no que você acredita, mas eu acredito em Deus (e tá tudo bem você não acreditar, aqui o espaço é democrático) e acredito que foi ele que apertou meu coração naquela hora e me fez perceber o quão privilegiada eu era.

Eu sei, eu sei que a doença terminal do vizinho não vai curar sua unha encravada, mas você está vivo, saudável e, provavelmente, um podólogo resolve essa unha aí. Dá pra chorar pela unha encravada e dá pra agradecer por existir uma solução. Se a gente parar um minuto da nossa vida pra pensar (mas pensar direito, não se fazendo de injustiçado), perceberemos a quantidade de coisas bacanas que acontecem e que a gente deixa passar por acreditar ser pouco. Ter ambição, querer coisas novas e melhores não faz mal, pelo contrário, nos faz querer crescer, mudar. Mal faz a gente só viver em função disso. Não há motivo para agradecer já que você não ganhou na loteria, não foi promovido, não está em Paris, não pode construir uma mansão. Tudo está sempre ruim, porque um item da lista não está bom.

Passei o ano de 2016 inteiro odiando tudo e todos por não conseguir um emprego e esqueci totalmente de agradecer pela conquista de ter vindo morar com meu noivo em São Paulo, organizar uma casa do zero. Além de ter viajado duas vezes durante o ano: uma pra visitar minha família, outra pra visitar a família do meu noivo. O fato de eu não ter conseguido um emprego, não anula as coisas boas pelas quais eu passei. É chato, é frustrante, tenho que brigar com aquele sentimento de impotência o tempo todo? Sim. (E isso é difícil, é um trabalho árduo e com certeza vou fraquejar muitas vezes). Mas e os temakis maravilhosos do ano? O que eles têm a ver com isso?  Agora mesmo preciso agradecer pela melancia que estou comendo, que está simplesmente divina de tão doce.

COMER MELHOR/TER UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL - Dia desses a Bela Gil estava no programa da Fátima Bernardes e a apresentadora a questionou sobre o porquê de ela não colocar a quantidade de calorias de suas receitas nos seus livros. Bela não poderia ter dado resposta melhor: "se a comida é bem feita e tem todos os nutrientes que a gente precisa, pouco importa quantas calorias ela tem". Excentricidades de Bela Gil à parte, a admiro por trazer uma nova visão sobre a culinária.

Outra mulher que admiro muito quando o assunto é comida é a Rita Lobo. Adoro o programa da Rita, a sigo em todas as redes sociais e sempre acompanho suas dicas em seu canal no Youtube. Ela vai meio de encontro com as peculiaridades da Bela Gil e traz pra gente uma culinária simples, caseira, gostosa de fazer e comer. Ela defende a "comida sem culpa": pode comer glúten, pode comer lactose (caso você não seja alérgico, claro), pode comer tudo, porque comer direito não é deixar de comer.

E é justamente isso que eu quero fazer nesse ano novo, comer direito sem deixar de comer. Quero fazer algumas substituições, pois venho percebendo que algumas coisas (frituras) estão me fazendo mal, mas não quero simplesmente cortar de vez as comidas que gosto. Comer também é um prazer, deixa a gente feliz, por que não desfrutar desse prazer de uma forma bacana?

Para completar esse tópico, quero falar sobre duas coisas: água e exercício físico. Nunca fui dessas que bebem muita água, mas tenho me policiado bastante quanto a isso. Em 2017 quero continuar andando pra cima e pra baixo com a minha garrafinha, pois água é vida, é fonte de juventude. Quanto aos exercícios físicos, bom, eu e meu noivo costumamos sair para caminhar e correr em um parque aqui perto de casa. Espero continuar com esses exercícios, mas tudo vai depender de como será a minha vida durante o ano. Talvez eu arrume um emprego e não tenha tempo de ir até o parque. Talvez eu tenha que me exercitar de uma forma diferente (que não seja academia, por motivos de detesto). Não sei, por enquanto o plano é continuar caminhando no parque.

Minha garrafinha que parece um botijão <3 Cabe 1L aí.

ESTUDAR - Bom, enquanto eu estiver desempregada, não dá pra começar uma pós ou um curso que custe uma pequena fortuna. Mas já percebi que tenho uma certa disciplina para estudar sozinha em casa. É assim que venho estudando para concursos e inglês. Acho que contei em alguma newsletter (não assina? tá aqui do lado a caixinha pra assinar) que o meu inglês é bem "me viro" e eu realmente preciso dar um basta nisso e aprender de uma vez. Já fiz curso (na verdade eu pagava e nunca ia), mas não me adaptei ao método, não sei, morria só de pensar em ter que ir pra aula. Estou certa de que o melhor pra mim seria um professor particular, mas, como já mencionei, não tenho dinheiro. Portanto, continuarei estudando em casa, no meu ritmo e tentando manter uma certa disciplina. Não é tão fácil, mas com esforço eu sei que consigo.

COMEÇAR UM BULLET JOURNAL - Ou tentar um novo método/ferramenta de organização, pois todos os outros falharam miseravelmente. Sim, eu adoro métodos e ferramentas de organização, mas parece que nenhum conversa comigo de fato. Eu já tentei de tudo e nada parece me motivar, resolver os meus problemas. É uma tristeza. Só que ultimamente venho lido e pesquisado um pouco sobre o "BuJo" e, por ser um método extremamente adaptável, acredito que dessa vez vai.  Inspiradíssima pela fofa da Alê, resolvi começar o meu próprio Bullet Journal e ver onde tudo vai dar. Espero conseguir me adaptar e, finalmente, encontrar uma ferramenta que me ajude. Gravarei um vídeo sobre as ferramentos e métodos de organização que não deram certo pra mim, me segue lá no canal que em janeiro tem vídeo novo toda semana <3 (Tá na caixinha aqui do lado).

Meu caderninho para o BuJo. Comprei um no Book Depository mas, por desatenção da minha parte, ele é de tamanho médio e pautado. Como eu queria um maior e sem pauta, acabei comprando esse da Cicero. A mensagem da capa não poderia ser mais perfeita: Seja o que você deseja. (Ainda não tirei do plástico por motivos de: sou dessas.)

CONSUMIR DE FORMA CADA VEZ MAIS CONSCIENTE - E falo não somente financeiramente, mas no quesito quantidade e qualidade das coisas. Eu tô numa vibe muito gostosa de só comprar um produto novo (da mesma categoria), quando o antigo chega ao fim. Mas é ao fim mesmo. Sabe o shampoo? Então, eu viro a embalagem de cabeça pra baixo para usar, pelo menos, mais uma vez. Eu sei que ainda tem produto ali, por que desperdiçar? E isso é do shampoo ao ketchup. Gente, eu tô desempregada, meu noivo não é rico e o planeta pede socorro com a quantidade de embalagem que a gente joga fora. Muitas dessas embalagens são de produtos que a gente nem usou, comprou só pra ter (comprar coisas só pra ter, ou só pra dizer que tem, é muito triste. Se você faz isso, melhore). Sem contar na economia que essa maneira de consumir proporciona. Em vez de ter 30 hidratantes que, com certeza, passariam da validade, agora eu só tenho um e, quando ele dá o último suspiro, eu compro outro. Sim, eu sei que tem coisas que a gente gosta de ter mais de um exemplar, mas o que vale aqui é o bom senso e a realidade de cada um, claro. Se eu não sou maquiadora, não trabalho com tutorias de maquiagem, não sou blogueirinha de moda, por que cargas d'água eu teria uma penteadeira lotada de maquiagem? Eu amo maquiagem, mas prezo pelo bom senso. 

Quanto a qualidade dos produtos, bom, aí é um aprendizado diário. Mas aos poucos eu venho encontrando produtos bons, por preços bacanas e duração justa. Porque, pra mim, qualidade é sustentada por esses três pilares. Não adianta de nada o produto ser ótimo, custar 200 temeridades (roubei esse termo ótchemo da Nina) e durar um dia. Se não é remédio, se não é indispensável para minha existência, não importa o quão bom ele é, não se encaixa na minha realidade.

Um outro ponto que gostaria de destacar neste item é roupa. Eu tenho pouquíssimas roupas e acho que está tudo desordenado, sabe? Não sei. Parece que não estou sabendo me organizar direito, o que me obriga a comprar coisas em cima da hora. Explicarei. No começo do mês marcaram uma entrevista comigo e eu não tinha uma blusa decente para vestir. Tive que correr pra comprar uma nova em cima da hora. Isso se dá pelo fato de eu ter um monte de blusinha de 15 reais, as mais farofas que existem e nenhuma decente o suficiente para uma entrevista. Eu estou caindo naquela onda de achar que 10 blusas de 15 reais valem mais do que uma de 50. O meu guarda-roupa não é nada funcional e eu pretendo mudar isso a partir do próximo ano.

O problema é que eu só falto morrer quando tenho que pagar 60, 70 reais numa única bRusinha, só porque ela é mais arrumadinha, daí caio naquela de "quantas blusas dá pra comprar com 70 reais?". Mas acredito que muito desse meu bloqueio para comprar roupas mais caras está diretamente ligado ao fato de eu só comprar sazonalmente. Isso, definitivamente, não funciona comigo. Eu preciso organizar o meu guarda-roupa gradativamente. Comprar tudo de uma vez me deixa sem margem para encontrar coisas legais depois, já que todo meu dinheiro foi gasto de uma única vez. E, geralmente, quando você compra roupas depois de um longo espaço de tempo, a compra se torna muito mais por "necessidade" (então lá vem as blusinhas de 15 reais) do que por vontade ou porque você realmente gostou. É exatamente isso que acontece comigo.  A partir do ano que vem eu quero me organizar melhor para comprar coisas de forma mais tranquila, gradativa, num mês uma calça, no outro um vestido, no outro um sapato. Não quero mais fazer tudo isso de uma vez. 


ME CONHECER AINDA MAIS E MELHOR - Este item pode até parecer fácil, mas é o mais complicado de todos. Se descobrir é uma tarefa constante, estamos nessa desde que nascemos. Portanto, não é algo que eu queira fazer em 2017, mas algo que venho fazendo desde sempre e pra sempre. Erramos, acertamos, tropeçamos, mas todo dia é uma nova descoberta. Quero estar em contato comigo mesma cada vez mais, entrar em contato com a minha espiritualidade até, não sei, desvendar ainda mais os mistérios que me habitam. Tem um trecho de uma música da Sandy, chamada "Meu Canto", que diz assim:

Pois quem olha pra fora sonha
E quem olha pra dentro desperta



Pois é isso, eu quero despertar para mim mesma. Ser mais eu. E, parafraseando Nietzsche, tornar-me quem eu sou.

E você, o que quer fazer do seu 2017?

21 setembro 2016

Pelo direito de não ser tão sociável


Certa vez eu li que apontar alguém como antissocial era um erro gravíssimo, já que apenas profissionais capacitados poderiam diagnosticar as pessoas dessa forma. Segundo o dicionário Michaelis online, antissocial é aquele contrário às ideias, costumes ou interesses da sociedade; associal. E eu pesquisei que comportamentos antissociais podem indicar um transtorno de personalidade (sociopatia, psicopatia) e até levar o indivíduo a cometer crimes.

Não seria prudente escrever um post inteiro sobre o quão antissocial eu sou, levando em consideração que sequer conheço um psiquiatra. Então, ao invés de usar a palavra antissocial neste texto para justificar o meu comportamento, ficarei somente no 'não tão sociável'. Combinado? Combinado.

Antes de mais nada eu gostaria de dizer que não me qualifico como um 'bicho do mato' (ou 'matuta', como a gente diz lá em Recife). Eu juro que sou educada, cumprimento todo mundo, sou simpática e costumo me expressar até que legal. A questão é que eu sou uma pessoa introvertida, sem paciência e bem (BEM) na minha. Pena que muita gente que convive/conviveu comigo não entende/entendia esse meu jeito.

Lá pelas bandas da adolescência minhas amigas me achavam estranhíssima (eu desconfio até que elas cogitaram me beatificar) por não gostar de ir às festas, baladas, 'reuniões com a galera' e as demais coisas onde um aglomerado de gente que eu não conhecia se juntava para fazer coisas que eu não gostava. Soava um absurdo:

- Como assim tu não vai pro São João da Capitá? (Evento famoso lá em Recife. Na minha época a presença dos xóvens era obrigatória)
- Eu não gosto.
- Vixe, Mari, tu também não gosta de nada.

Eu sei que quando se tem 16 anos pouco importa a companhia ou a música, a gente quer se divertir. Mas eu já nasci com 84 anos, ranzinza até o último fio de cabelo, e festa estranha com gente esquisita DEFINITIVAMENTE não é diversão pra mim.

Vejam bem, não é como se eu vivesse numa bolha e não conhecesse mais ninguém neste mundo além da minha mãe. Conhecer pessoas novas é muito legal, mas quando de forma tranquila, sem forçar a barra, sem 'amiga' te empurrando com um PÉSSIMO "ela quer te conhecer" (como eu odeio isso com todas as minhas forças). Ou com os mais PÉSSIMOS ainda: "como essa menina é calada", "fala alguma coisa, interage" (como eu odeio isso com todas as minhas forças). Eu, com toda a paciência que já não me pertence, preciso me controlar muito pra não meter a mão na cara da pessoa que fala isso.

É muito difícil fazer o povo entender que o que eu quero é paz. Não quero ninguém azucrinando o meu juízo, não quero 300 conversas no meu whatsapp, muito menos 900 pessoas adicionadas no Facebook. E nada contra, mas eu não sou assim. Eu adoro ficar sozinha. Mesmo! Acho engraçado quando uma pessoa se diz chocada ao perceber que não sai de casa há uma semana, por exemplo. Eu passo um mês inteiro sem sair de casa numa boa. Nada acontece comigo, não estou triste, depressiva, ou qualquer coisa parecida. Eu só quero ficar no meu canto, (comendo, dormindo) lendo meu livro, assistindo minha(S) série(S), pegando um cineminha às vezes. Essas coisas. A questão é que a galera acha que isso não é diversão, é chatice.


Isso não quer dizer que eu não me permita passar momentos maravilhosos com as minhas amigas, que eu não saia pra ser feliz no meio do mundo. Quer dizer que eu dispenso aquele velho discurso tribalista "eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". Eu não sou de ninguém e não quero ninguém no meu pé.
No último final de semana este texto do incrível Felipe Fagundes caiu no meu colo. Ele conta um pouquinho sobre como não é muito fácil a vida dos introvertidos e lança um mini tutorial de como tratá-los. Só que assim, ele é uma pessoa bem mais legal do eu e é claro que o texto é muito melhor. 
E tu, também enfrenta tais dilemas? Me conta aí. 

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31 agosto 2016

Saindo dos grupos de divulgação do Facebook


De tempos em tempos eu resolvo fazer uma faxina nas redes sociais. Excluo quem não me interessa, deixo de seguir páginas e pessoas que já não têm a ver comigo, essas coisas. Mas no último declutter eu fiz uma coisa que há muito martelava a minha cabecinha, mas a coragem não deixava: saí de todos os grupos de divulgação de posts/vídeos do Facebook.

Lembro que quando eu era uma blogueira disciplinada e postava com frequência, como uma louca saía caçando grupos de divulgação para jogar meu link lá e rezava para que as pessoas visitassem meu blog. Não dava muito certo, né, o engajamento era quase zero. Os comentários eram sempre das mesmas pessoas: os amigos que fiz nessa internet de meu deus. O que sempre me deixou muito feliz, lógico, (continuem, friends), mas parecia que o esforço que eu fazia para divulgar os posts em milhões de grupos não servia de nada. Apesar das visualizações aumentarem, eu sentia que tudo era muito momentâneo. Os posts recebiam visitas durante, sei lá, um dia e meio, depois todo mundo sumia.

Grupos exclusivos de divulgação não têm muita 'presença' do produtor de conteúdo. Na minha humilde opinião, é só um amontoado de links que disputam a tapas a atenção de quem passa por lá. É uma tremenda poluição visual. A verdade é que uma ou outra pessoa dá cinco segundos de chance à barra de rolagem, depois cansa e vai embora. Quem você acha que passa o dia em páginas de divulgação procurando coisa nova? Pois é, ninguém. A quantidade de informação é gigantesca e achar algo que te interesse dá o mesmo trabalho de cruzar um labirinto.

Sinceramente, eu ainda participo de um (1, único, one) grupo, o Liga Blogesfera. Eu gosto do formato dele. As moderadoras permitem cada vez menos que ele se torne um depósito de links. Tem interação, tem conversa, tem forma específica de divulgar. Não é só jogar o link e pronto. Foi o único grupo com o qual eu me identifiquei e que mereceu não ser "posto pra fora" do meu Facebook.

Meu blog não tem fins comerciais, é só um espaço que eu uso pra trocar meia dúzia de ideias com meia dúzia de pessoas. Tá, vai, sem hipocrisia, é claro que eu gostaria de ter uma quantidade bem maior de leitores. De leitores, não de visitantes. Mas eu entendo que o formato e o conteúdo do blog não despertam tanto interesse. E tudo bem. Mesmo. Eu gosto de poder deixá-lo o mais parecido comigo possível, sem aquela obrigação de "bombar" o tempo todo.

Enfim, preferi dar adeus aos grupos de divulgação porque dessa forma eu não canso a minha falta beleza postando enlouquecidamente meu conteúdo nem ignoro as postagens das outras pessoas. Todo mundo feliz. E sabe do que mais? Eu me sinto muito mais confortável divulgando minhas coisas somente na página oficial do blog e nas minhas redes sociais pessoais. Juro que não tô sentindo a mínima falta dessas páginas.

Hey, me segue lá no snapchat: @srtamariany  =)

Imagem: Pexels

10 agosto 2016

Organizando meu segundo semestre



2016 está sendo um ano difícil no quesito organização pra mim. Como alguns devem saber, eu me mudei pra uma cidade nova no início do ano e deixei todo o conforto da casa da mamãe. Agora eu moro com o meu noivo e nós estamos nos virando nos 30 para organizar a vida sozinhos. Tá que não é um calvário, mas a gente tem que se adaptar a novas situações, né? Enfim, o fato é que, apesar de estarmos todos vivos e bem, não consegui organizar a minha vida da maneira que eu queria. Só de um mês pra cá é que eu resolvi fazer algumas mudanças e ver se ficava mais fácil. Ficou, mas ainda tem muito o que "colocar no lugar".

Estávamos sem internet em casa desde que nos mudamos para o apartamento (janeiro), o que também contribuiu para a falta de organização. Eu gosto muito de pesquisar sobre o assunto na internet e diversos blogs e sites me ajudam a manter o foco. Agora que a bendita foi instalada, poderei me atualizar e inspirar devidamente.

Certo, agora vamos à listinha de coisas que eu quero deixar nos trinques neste segundo semestre:

Casa 

Geral: Apesar de já estar morando neste apartamento há 6 meses, nós não temos todos os móveis ainda, principalmente os da sala de estar e jantar. Na verdade a gente tem uma mesa de plástico, com duas cadeiras de plástico e uma tv de 21' de tubo que fica no chão. Tudo de segunda mão. A grana tá curta, então, claro, demos prioridade ao que era necessário. Compramos tudo pra cozinha e lavandeira, além de uma boa cama e colchão. Mas acreditem, a (quase) falta de móveis me dá uma sensação terrível de desorganização. Fica tudo tão vazio e feio, que eu sempre acho que tá bagunçado. Eu e meu noivo estamos fazendo um planejamento para comprar os móveis que faltam e substituir os velhos. Já escolhemos o 1º: o rack. Não caibo em mim de tanta felicidade. Não vejo a hora de ver a minha salinha com, pelo menos, um móvel. Pode ser que comprar móveis novos não tenha muito a ver com organização, mas neste meu caso tem tudo a ver. Do mesmo jeito que eu não consigo me sentir bem em um lugar entupido de coisas, não consigo ter uma vida organizada em uma casa vazia.

Comida: No início do ano eu resolvi fazer um cardápio semanal para facilitar a vida na cozinha. Falhei miseravelmente, mas percebi que isso ajuda demais o dia a dia. Às vezes olho pra geladeira e não sei o que fazer para jantar ou almoçar, daí saio caçando receitas na internet, o que me faz perder um bom tempo. Se tudo já estivesse organizado previamente, eu não precisaria procurar receitas em cima da hora, dificultando meu trabalho e, no fim, perceber que faltou algum ingrediente. Portanto, o cardápio semanal voltará em 2016.2.

Roupas: Continuarei com o esquema que vem dado certo na minha rotina. Lavo roupas 3 vezes na semana: segunda, quarta e sexta. Na segunda eu lavo as roupas claras e na quarta as escuras. Isso não é uma regra, se na segunda as roupas escuras estiverem em maior quantidade, então lavo as escuras. Nestes dias também costumo lavar as roupas pesadas, como jeans e jaquetas, as roupas "de mão" (as mais frágeis e mais novas não confio colocar na máquina, lavo na mão mesmo) e as íntimas. Na sexta eu lavo as roupas de cama, banho e os panos de limpeza (panos de prato e de chão). ~Tudo separadinho, tá gente~. Na verdade, a quantidade de vezes que eu lavo roupas na semana tem tudo a ver com o fato de eu só ter um varal de chão. Não dá pra lavar tudo de uma vez, pois não tem onde estender. Tô pra comprar um segundo varal, o que diminuirá os dias de lavagem.

Limpeza: Este tópico será dividido em Geral, Cozinha, Quarto e Banheiro.

  • Geral: Também continuarei com o esquema que já vem dando certo. Toda semana passo aspirador de pó e um pano úmido na casa, geralmente na segunda-feira. Terça, no máximo. Sei que fica difícil fazer isso quando se trabalha fora. Mas enquanto estou desempregada, essa rotina tem me satisfeito. Passo uma vassoura geral outras três vezes durante a semana, pois gata em casa e pelos em todo lugar.
  • Cozinha: Além da limpeza geral que comentei acima, uma vez por mês eu lavo a cozinha. Sim, lavar mesmo, jogar água com sabão e esfregar. Não sei se todo mundo tem esse costume, mas a minha mãe é a louca da cozinha lavada e eu aprendi com ela. Realmente a cozinha é um lugar que fica bem gorduroso e sujinho, uma passadinha de pano não resolve. A parte de cima do fogão eu limpo toda semana e o forno ainda não estabeleci um tempo. Quero criar o hábito de limpar a geladeira todo mês, assim como a parte interna do microondas (que não suja muito, pois a gente usa aquele protetor de prato).
  • Quarto: Costumo trocar a roupa de cama toda semana. O quarto não é um lugar que a gente suja muito, e a bagunça eu costumo arrumar sempre que incomoda, que geralmente são coisas espalhadas em cima do criado mudo. A limpeza geral já deixa ele bem bonitinho. 
  • Banheiro: Lavo o banheiro toda semana e troco a toalhinha de enxugar as mãos e o tapete. Continuarei fazendo assim.

Pessoal

Virtual: Aqui é que a coisa complica. Haha =) A vida virtual da gente sempre parece mais bagunçada que a vida real. Pelo menos a minha parece. A procrastinação é pior nas internê do que no dia a dia. É que em casa eu vejo as coisas o tempo todo, e como eu não funciono com sujeira e com bagunça, vou lá e faço. Já o notebook, eu abro e clico logo no Chrome. Pronto, já perdi o dia todo navegando e não me organizei. Mas agora vai dar tudo certo (oremos). A primeira coisa será organizar os meus documentos. Já iniciei o processo fazendo o backup de vários arquivos e uma geral no Dropbox. Agora organizarei todas as pastas, excluindo o que não me serve mais e guardando num HD externo o que eu quero mas não uso com frequência. Meus e-mails até que não andam muito desorganizados, mas ainda preciso fazer uns ajustes e redirecionar algumas coisas para as pastas correspondentes. Gosto de deixar a caixa de entrada livre para e-mails importantes e que merecem a minha atenção no exato momento em que chegam. 

Uso muito o Pocket e sei que está um verdadeiro buraco negro aquilo lá. Preciso excluir muita coisa e reorganizar todas as tags. Pra quem não conhece, o Pocket é um aplicativo que "guarda" páginas da internet por categorias ou tags criadas pelo próprio usuário. A mesma confusão está nos meus favoritos. Quero deixar os favoritos somente com as páginas que uso frequentemente, não tem pra que tanta coisa favoritada se eu nem sequer lembro depois. A partir de agora eles ocuparão somente a parte que fica abaixo da barra de endereço do Chrome. Não quero mais setinhas para baixo indicando outros milhões. Se for interessante e me servir eventualmente, vai para o Pocket. Se não, será excluído. 

Baixei o Wunderlis por recomendação do meu noivo e estou gostando muito. Por incrível que pareça me adaptei bem rápido e estou usando sempre. Eu tenho um problema muito grande com aplicativos de listas e organização. Já tentei o Evernote, o Todoist e outros, mas nenhum prendeu a minha atenção. Eu sempre esquecia que eles existiam. O Wunderlist me conquistou porque ele é muito, muito simples. Alguns podem dizer que ele é parecido com o Todoist, mas eu não achei. Pode ser, visualmente falando, mas na prática eu acho o Wunderlist melhor. Lembrando que eu gosto de coisas muito simples (pois burra, muito burra), pois minha vida é muito simples. Eu não preciso de um app com muitas ferramentas, já que não tenho uma vida com muitos compromissos, eventos. 

Acho legal apontar isso, pois muita gente insiste (eu, por exemplo) em se adaptar a aplicativos por causa do hype, esquecendo que não é a pessoa que tem que servir ao app, o app é que deve servir a pessoa. Se a sua vida não se adapta a um aplicativo que dá até um duplo twist carpado, não instale.

Outra situação que eu preciso resolver logo é a quantidade de coisas que eu tenho pra ler/ver/ouvir na internet. Newsletter, blogs, sites, revistas, vídeos, podcast, tudo isso acumula de uma forma que eu não consigo controlar. A solução que encontrei para aliviar a demanda e, quem sabe, colocar tudo em dia, é estabelecer um horário por dia para me dedicar somente a essas tarefas. Ainda preciso organizar a logística de tudo isso, mas se der certo eu conto pra vocês em outro post.

Física: Não, gente, este tópico não tem a ver com corpo ou alimentação, apesar de eu querer me organizar para fazer caminhadas algumas vezes por semana e preparar comidas mais saudáveis. Este tópico é sobre tudo o que não é virtual =) Não sei, não sei como descrever de outra forma. Me perdoa aí.

Por exemplo, no início do ano eu comprei um caderninho e o transformei no famoso 'caderno de organização'. Comecei bem: organizei tags, escrevia as coisas direitinho, parecia que dessa vez ia dar certo. Nem preciso dizer que falhei, né? O incrível é que eu tenho muita vontade de escrever, de organizar, de atualizar o caderno, mas a preguiça não deixa. Se eu precisar anotar algum compromisso, ideia, tarefa e o caderno estiver longe, tento convencer a mim mesma de que jamais esquecerei tal informação, só por preguiça de ir lá anotar o babado. E aí, o que acontece? É óbvio que eu esqueço. Eu até que sou boa com datas, geralmente eu lembro dos compromissos. Mas as ideias e tarefas eu esqueço completamente, o que faz com que eu me odeie pra sempre por não ter anotado. Gente, me interna. Eu quero muito levar o caderno a sério porque ele é muito útil. O Wunderlist, aplicativo que já mencionei, me ajuda bastante, mas tem coisas que eu realmente sinto que é melhor escrever, até pra desenvolver melhor a ideia. E eu gosto de escrever à mão, eu amo papel e caneta e lápis e morreria dentro de uma papelaria feliz da vida. Oremos para que eu consiga dar um ippon (tô toda olímpica) na preguiça.

Também é importante destacar neste tópico a minha organização quanto aos estudos. Como estou desempregada e terminei a faculdade no final do ano passado, considero de extrema importância procurar alguma "ocupação" para a mente. É claro que eu tenho as minhas obrigações com a casa e a busca incansável por emprego. Mas enquanto não aparece trabalho e a minha casa não é tão difícil assim de cuidar, quero me dedicar a aprender coisas. A grana tá curta, o que me impede de fazer cursos pagos no momento. Por isso quero me organizar para estudar em casa mesmo, na internet. Eu sei que isso requer muita disciplina, mas preciso parar de achar que preguiça é uma justificativa plausível. Procrastinação só é engraçadinha no Twitter.


Bom, por enquanto eu acho que é isso. Estou bem confiante de que este segundo semestre será bem melhor que o primeiro no quesito organização. Acho que uma das coisas que "me atrapalhou" no começo do ano foi a fase de adaptação e o conflito interno que eu estava vivendo por não conseguir enxergar a nova cidade como lar. Isso me desestruturou um pouco, me deixou bem triste durante um bom tempo. E é muito difícil você tomar as rédeas da sua vida quando está meio deprê, né? Mas agora já tá tudo bem e eu sei que vai dar tudo certo.

E vocês, como vão organizar o segundo semestre?

P.S.: Acho que mais pra frente farei um post sobre como ficou a organização do Pocket e as listas do Wunderlist. Que tal?

P.S2.: Gostaria muito de organizar um calendário de postagem aqui pro blog (porque tô de amorzinho com ele de novo), mas ainda não me sinto segura. Quem sabe mais pra frente <3

Imagem: Daqui

22 abril 2016

Minimalista pode vestir amarelo?



Dia desses eu estava passeando pelo perfis minimalistas do Pinterest, assim como lendo alguns posts em blogs que abordam o tema, quando comecei a me sentir mal. Não, o minimalismo não está me matando, é só que eu percebi uma coisa que, pra mim, parece muito triste.

Eu sempre defendi que minimalismo não é sobre números e que tudo o que aparece como “moda” nesse meio é somente para servir de inspiração, ninguém precisa se sentir escravo. Mas infelizmente não é com essa leveza que eu vejo o minimalismo na internet. Não importa aonde eu vá, clicando nessa imensidão de conteúdo sobre o tema, sempre me deparo com o que parece ser uma ditadura. Uma não, várias. Mas não vamos falar de todas elas, vamos por partes. Talvez eu aborde outras em outros posts.

A foto que encabeça este post é minha. Estas são as minhas roupas. Dá pra perceber que eu adoro preto (amor da minha vida), branco, cinza e listras, né? Pois é. Mas o que isto tem a ver com o minimalismo? Nada! Leram bem? Nada! Apesar de não entender nada de moda, acredito que a forma como você se veste diz muito sobre a sua personalidade, mas não te dá atestado de minimalista. Eu não sei o que acontece com (quase) todos os blogs e perfis do Instagram/Pinterest/Tumblr das pessoas que costuma falar sobre isso, ou que falam especificamente disso, que mergulham numa imensidão branca e vazia que chega a dar agonia.

Eu me senti mal vendo e lendo tudo aquilo porque parecia que eu estava sofrendo uma overdose. Ouvi um coro que dizia: o minimalismo me transformou e na catequese disseram que só é permitido vestir branco, preto, azul marinho e uma bolsa caramelo. Não havia diferença entre as fotos, não havia diferença entre as pessoas.

Eu sei que quando a gente resolve dar passos rumo a uma vida mais simples (ou rumo a qualquer vida), muita coisa que acreditávamos gostar antes acaba por não fazer o menor sentido depois. Mas daí a virarmos um exército, a sermos praticamente todos iguais? É muito estranho o fato de todos os que se dizem minimalistas, ou que caminham rumo a uma vida mais simples, gostem das mesmas coisas, se vistam da mesma forma. Não acredito que o minimalismo tenha a ver com cor ou estilo de roupa. Acredito que tenha a ver com como você se sente vestindo determinada roupa. Minimalista não pode vestir amarelo e babados? É claro que pode. Deve. Se isso o fizer feliz.

Gente, eu espero que vocês estejam me entendendo e não pensem que eu estou aqui pra contrariar a vontade das pessoas de vestir roupas básicas e monocromáticas. Eu estaria cuspindo no meu próprio prato, né? O que eu quero com este post é tentar defender um outro lado, um lado menos branco, menos básico, menos vazio. Eu estou aqui para prestar a minha solidariedade às pessoas que veem um vestido florido lindo e não compram porque (acham que) têm que manter uma pose minimalista. Eu estou aqui pra dizer a essas pessoas que está tudo bem comprar o vestido florido lindo E ser minimalista. Não existe uma única lei neste mundo que te impeça de viver uma vida simples e sair toda estampada por aí.

Eu decidi que preto era a minha cor aos 12 anos de idade. Minha mãe tinha pavor do meu guarda-roupa quando eu era adolescente, ela dizia que só tinha coisas “das trevas”. Depois que cresci, ela começou a pegar no meu pé porque eu só tinha roupas iguais e das mesmas cores: camiseta branca, preta e cinza. Até hoje, quando ela liga dizendo que vai comprar roupas pra mim eu respondo que não precisa - a não ser que ela mande uma foto - porque eu já sei que será estampado ou colorido, pois ela se recusa a comprar alguma coisa preta. Podem ligar pra ela e confirmar tudo isso.

Eu não visto roupas básicas porque resolvi ter uma vida mais simples e na bíblia do minimalismo diz que a gente tem que se vestir dessa forma. Eu visto roupas básicas há muito tempo porque é da minha personalidade, porque eu não sei combinar estampas, porque eu acho feia a maioria das coisas que está na moda. Mas nem por isso deixo de gostar e comprar roupas estampadas de vez em quando. Confesso que é difícil uma estampa me agradar. Muitas vezes me arrependo de ter comprado e começo a usar a peça em casa, pois não tenho coragem de sair na rua com ela. Mas o fato é que eu não me sinto presa às cores básicas no intuito de receber o certificado de minimalista do ano.

Minhas estampas

*Um outro ponto interessante a ser discutido: “roupa de casa e roupa de sair”. Algumas pessoas que se dizem minimalistas não possuem roupas de casa. Se você é alguém que tem que resolver muitas coisas na rua, ou que recebe muita gente em casa, melhor mesmo estar mais arrumadinha. Mas como isso não condiz com a minha realidade, eu jamais ficarei em casa com uma camisa nova que me custou 70 conto. Em casa eu pareço a doida do pão. Se estiver frio, não precisa nem de roupa de casa, minha gente, um pijaminha já tá de ótimo tamanho. A minha roupa de casa também não precisa ser preta ou branca. A maioria é, pois tudo que ficou velho é branco ou preto. Mas, como já falei no parágrafo anterior, se compro algo estampado e me arrependo, vai pra pilha das roupas de casa. Eu não me sinto na obrigação de estar sempre preocupada com uma paleta de cores enquanto faço meu feijão ou lavo meu banheiro.

Uma das minhas referências sobre o tema vida simples é a Camile Carvalho. Ela é uma fofa e eu a acompanho em tudo o que é rede social (stalker ^^). Pra mim ela é uma pessoa que capta bem a essência do que é levar uma vida minimalista, não propagando as mesmas ideias, com as mesmas cores e as mesmas quantidades. Camile é vegana, mas não fica com aquele discurso de que todo mundo que come carne vai para o inferno. Ela é professora de ioga, mas não vende cartilhas de “se você se diz minimalista e não pratica ioga, você não é minimalista”. Ela realmente é uma pessoa iluminada e eu a admiro muito.

 A Taís Godinho, do Vida Organizada, também é uma pessoa que me inspira. Apesar de o foco do seu trabalho ser organização e não minimalismo, eu gosto de como ela aborda o tema às vezes, sempre de forma cautelosa e não desrespeitando as particularidades das pessoas, nem fazendo-as acreditar que só existe uma maneira (e cor) certa a conduzir a vida. 

Está cada vez mais difícil encontrar inspirações diversificadas. Eu não vou dar uma de hipócrita e dizer que não gosto de fotos/roupas com esse perfil mais clean, é claro que gosto. Já disse, não vou cuspir no prato que como. O que eu não gosto é dessa obrigação de ter que ser minimalista e básica e monocromática e ter uma casa toda branca com três móveis.

Eu torço muito para que as pessoas não tenham medo de se desconstruir quanto a isso, não tenham medo de usar um vestido rosa se quiserem. Não fiquem paranoicas com uma suposta reputação que devem manter. Espero mesmo que todos entendam que o minimalismo existe para que você quebre padrões, não para que saia de uma prisão e entre em outra.

P.S.1: Você pode até pensar que eu estou bostejando e que nunca viu ninguém obrigar os outros a seguir uma apostila minimalista. Mas eu acredito que as "ditaduras" estão, muitas vezes, nas coisas que a gente não diz. 

P.S. 2: Quando a maioria das referências que se tem sobre um determinado assunto são praticamente iguais, a tendência é você achar que algo está errado, mas que algo está errado com você. Como assim eu quero ser minimalista e meu sofá não é branco? 90% da minha timeline minimalista tem um sofá branco. Estou de fora, nunca vão acreditar que eu sou minimalista.

E você, o que pensa sobre o assunto? Concorda, discorda? Comenta aí ;)

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